NA HORA DO VAMUVÊ,
O QUE NOS SUSTENTA...
(nossos relatos ou comentários ou fotos sobre atividades por nós realizadas objetivam divulgar a atividade – propaganda – e despertar a inveja dos amigos. No meu caso, sobre a Travessia da Serra Fina, há um terceiro: alertar os incautos para que não caiam nessa robada).
Mas, na hora do vamuvê, o que nos sustenta é uma dupla chamada NaCl e Lipídeo. Ou seja, sal de cozinha e gordura.
Depois vem o carbohidrato e a proteína, ordinários, que se encontram por toda parte. Açúcar tem em tudo e carne..., sim, pode ser carne de soja, embora não preencha as necessidades do espírito.
É, a carne de soja, ou seja lá o que diabos mais for de soja, não é coisa de Deus. Faz bem para o corpo (no meu caso, me provoca umas coisas na pele), mas maltrata a alma.
O amendoim é coisa do demônio: tem muita gordura e proteína e, se acrescentarmos um salzinho, vira bomba. Só precisa muita água pra moer e digerir.
Agora imagina você no meio do nada, mato, pedra, parede pra subir, parede pra descer. Aí vem um sujeito e frita uma lingüiça bem encharcada. Não tem nada mais motivador para levar um vivente que pensa que pensa ao cimo do pico mais próximo: é muito sal, muita gordura e muita proteína, e quente, pra aquecer o corpo das rajadas de vento gelado lateral.
Na hora do vamuvê, o sujeito precisa de sal, pra intumescer a crista. A crista aqui não é a fina, da serra, que perseguimos, mas a do homem, como se fora uma galinha. Porque todos sabem o destino de uma galinha de crista caída (segundo minha professora-zootecnista Lolay, é a panela!).
É, o sal tem o poder de manter nosso entusiasmo, enquanto a gordura mantém a nossa intrepidez física, necessária para varar bosques de capim-elefante e capinzal de bambu.
Quem frita lingüiça na montanha é o Vinícus, guia de Itanhandu, para desespero dos ortodoxos consumidores de miojo e liofilizados. O fato é que ele anda naquelas brenhas com uma cargueira de 80 litros e 25 Kg como se estivesse no jardim. E acrescento que ele levava ovo, para a omelete do café da manhã.
Já com um outro guia da montanha, o Vandeira, aprendi outra coisa sobre a água. É ela que mantém nossa alegria de viver. Porque não tem nada mais sem graça do que a sede.
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