sábado, 17 de setembro de 2016

O QUE NOS SUSTENTA.

NA HORA DO VAMUVÊ, 

O QUE NOS SUSTENTA... 

(nossos relatos ou comentários ou fotos sobre atividades por nós realizadas objetivam divulgar a atividade – propaganda – e despertar a inveja dos amigos. No meu caso, sobre a Travessia da Serra Fina, há um terceiro: alertar os incautos para que não caiam nessa robada).

 Mas, na hora do vamuvê, o que nos sustenta é uma dupla chamada NaCl e Lipídeo. Ou seja, sal de cozinha e gordura. 

Depois vem o carbohidrato e a proteína, ordinários, que se encontram por toda parte. Açúcar tem em tudo e carne..., sim, pode ser carne de soja, embora não preencha as necessidades do espírito. 

É, a carne de soja, ou seja lá o que diabos mais for de soja, não é coisa de Deus. Faz bem para o corpo (no meu caso, me provoca umas coisas na pele), mas maltrata a alma.

 O amendoim é coisa do demônio: tem muita gordura e proteína e, se acrescentarmos um salzinho, vira bomba. Só precisa muita água pra moer e digerir.

 Agora imagina você no meio do nada, mato, pedra, parede pra subir, parede pra descer. Aí vem um sujeito e frita uma lingüiça bem encharcada. Não tem nada mais motivador para levar um vivente que pensa que pensa ao cimo do pico mais próximo: é muito sal, muita gordura e muita proteína, e quente, pra aquecer o corpo das rajadas de vento gelado lateral.

 Na hora do vamuvê, o sujeito precisa de sal, pra intumescer a crista. A crista aqui não é a fina, da serra, que perseguimos, mas a do homem, como se fora uma galinha. Porque todos sabem o destino de uma galinha de crista caída (segundo minha professora-zootecnista Lolay, é a panela!).

 É, o sal tem o poder de manter nosso entusiasmo, enquanto a gordura mantém a nossa intrepidez física, necessária para varar bosques de capim-elefante e capinzal de bambu.

 Quem frita lingüiça na montanha é o Vinícus, guia de Itanhandu, para desespero dos ortodoxos consumidores de miojo e liofilizados. O fato é que ele anda naquelas brenhas com uma cargueira de 80 litros e 25 Kg como se estivesse no jardim. E acrescento que ele levava ovo, para a omelete do café da manhã.

 Já com um outro guia da montanha, o Vandeira, aprendi outra coisa sobre a água. É ela que mantém nossa alegria de viver. Porque não tem nada mais sem graça do que a sede.

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