quinta-feira, 11 de novembro de 2021

Moral doméstica.

 

É impossível falar de moral doméstica, à luz de São Paulo (o apóstolo), sem usar o verbo fornicar ou o substantivo fornicação. Aliás, até pouco tempo, eu achava que fornicação era palavrão, mais escabroso do que fudeção ou foda, por exemplo. Mas não, é palavra bíblica!

Tem duas coisas que São Paulo não gosta nem recomenda: fornicar e casar. Todavia, se você não pode viver sem tocar em mulher, então case. Dos males o menor: antes casar do que fornicar. Porque, se você não está sabendo bem, fornicar é fazer sexo ilícito.

Sim, o sexo pode ser lícito ou ilícito, como outro negócio qualquer. Naturalmente, isso não se aplica às mulheres, que passam muito bem sem tocar em homem…  Não!? Não reclame comigo, reclame com São Paulo.

Paulo disse, ressalvando que isso era por conta própria, e não conversa de Jesus, que casar era arranjar sarna para se coçar, recomendação válida para o homem e para a mulher.

Se o cidadão ou cidadã já for casado, tudo bem, permaneça casado, não se separe de jeito nenhum, aguente o tranco. Mas se você não tiver mulher/marido, não arranje um, porque é fatal que terá tribulações na carne; é algo que eu vo-las (as pessoas) desejaria poupar (1Cor 7, 27).

Se a sua mulher ou seu marido forem ateus, não tem problema (não, nem o conceito “ateu” existia na época, que dirá a palavra). Em lugar de “ateu”, usar “não cristão”. Se for o caso, permaneça com ele/ela, não se separe. 

Não se preocupe com os eventuais filhos desse casamento, que não serão batizados, mas serão puros (1Cor 7, 13-14). Se ele morrer, fique viúva. Mas se quiser casar de novo, não cometa a besteira de se casar com outro ateu.

O certo mesmo seria ficar virgem (homens e mulheres), não entrar nessa seara tão delicada, tão dialética… Eu creio que se Paulo dissesse uma coisa dessa na frente de Jesus, levaria uma bronca: cara, você tá querendo melar aquele meu mais genial bordão, aquele do crescei-vos e multiplicai-vos?!

Agora vejam só a motivação de Paulo: quem não tem esposa, cuida das coisas do Senhor e do modo de agradar ao Senhor. Quem tem esposa, cuida das coisas do mundo e do modo de agradar à esposa. Da mesma forma, a mulher não casada agrada ao Senhor e a mulher casada agrada ao marido (1Cor 7, 32-34). Paulo deve ser o padroeiro dos padres.

Ah, mulher, você estava achando Paulo um amor de equidade de gênero, é? Segura então os versículos 21 a 24 do capítulo 5 da Carta aos Efésios:

“Sede submissos uns aos outros no temor de Cristo. As mulheres o sejam a seus maridos, como ao Senhor, porque o homem é cabeça da mulher, como Cristo é cabeça da igreja e o salvador do Corpo. Como a Igreja está sujeita a Cristo, estejam as mulheres em tudo sujeitas aos maridos”.

 

quinta-feira, 4 de novembro de 2021

CAMINHO DA FÉ

 Sim, acabo de fazer o Caminho da Fé (CF), eu e meu irmão. Saímos de Tambaú SP e fomos até Aparecida SP, cruzando a Serra da Mantiqueira pelo sul de Minas Gerais.

Deu 400 Km em 12 dias de caminhada, no estilo raiz de peregrinação, levando a mochila de 7 Kg nas costas.

 

O CF é uma rota demarcada com setas amarelas, no estilo do Caminho de Santiago (Espanha). Existe uma associação que o administra, tem um site com todas as informações, é um projeto turístico com apelo religioso.

Em Aparecida SP está a imagem de Nossa Senhora Aparecida, a padroeira dos católicos brasileiros.

 

Quem não tem dinheiro para ir até a Europa peregrinar, pode fazer o CF aqui pertinho, mas as pousadas (muitas na zona rural, em casa de moradores) são mais caras do que os albergues do Caminho de Santiago (com Euro caro e tudo).

Com alimentação e pousadas, o peregrino gasta cerca de 120 reais por dia.

 

Há vários ramais que se unificam em A. da Prata e, daí até Aparecida são 300 Km, que os caminhantes costumam fazer em 15 dias, caminhando 20 Km por dia. Quase todo o caminho é feito em estradas secundárias de terra, cruzando vales e cumeeiras.

Os vales, onde se localizam as cidades e povoados, têm altitude média de 900 metros e as cumeeiras, 1300 metros. É, portanto, um sobe e desce constante e muito exigente fisicamente, mas que proporciona paisagens deslumbrantes a todo momento.

 

Antes de Campos do Jordão, a altitude chega a 1800 metros e, após, no auge da Serra do Quebra Pernas, dentro do Parque Estadual de C. Jordão, a altitude vai a quase 2000 metros.

 

Atualmente, cerca de 80% dos frequentadores do caminho são ciclistas. É um público de poder aquisitivo mais alto do que o peregrino tradicional e as pousadas e restaurantes vão-se adaptando a ele, com preços mais elevados e abandono da simplicidade original.

A elevação dos preços afugenta os peregrinos mais pobres; o abandono da simplicidade atrai muitos turistas convencionais.

 

A exploração comercial se intensifica: já há verdadeiras agências de viagem, que organizam grupos de peregrinos ou bicigrinos (bikers; bicicleta agora é bike).

Mediante pagamento, há pessoas ou empresas que transportam mochila, acompanham com carro onde levam água, alimentos e peregrinos cansados.

  

Entusiastas particulares têm construído capelas ao longo da estrada. Há uma febre de construção dessas igrejinhas.  Além do apelo religioso, há sanitários e água potável em algumas. Tratam-se de apoios práticos ao caminhante.

Lá no CF, só fé e reza não bastam. É preciso ter bom preparo físico e, nos 20 Km entre uma cidade e outra, comer e beber muita água.

 

Ao final, em Aparecida, o peregrino raiz leva uma ducha de água quente, mediante o pagamento de 10 reais (nas instalações anexas à basílica) e uma ducha de água fria, diante da indiferença da multidão formada pelo turismo religioso de massa e da profusão de badulaques religiosos à venda.