terça-feira, 3 de julho de 2018

ALARMANTES NOTÍCIAS SOBRE BELGAS E CAPETAS.


Na campanha da Rússia, temos os belgas atravessados em nosso caminho. Aquele povo vizinho dos franceses, holandeses e alemães que, igualmente, tem a mania de convocar africanos pra jogar bola em seu lugar. Os belgas, que falam francês, holandês e alemão! Línguas oficiais. Que entendem de bola como francês, holandês e alemão, juntos e misturados. Tamonov lascadov.
Pense numa seleção Franco-alemã-holandesa. É a seleção da Bélgica! Os belgas são uma mistura dos povos romanos e germanos e, alarme! têm algo de italiano também. Mau, se é assim, os belgas devem ter, também, todas as maníacas qualificações futebolísticas dessa cambada toda!
Outro alarme: belga é bom de guerra. Tanto que, quando esses povos todos aí citados querem guerrear entre si, sabe aonde vão brigar? Na Bélgica! Nunca ouviu que a Bélgica é o campo de batalha da Europa?
Mais um alarme: os belgas sabem mexer os pauzinhos (influenciar a arbitragem). Tanto que sediam a UE e a OTAN. Enfim, os belgas são a própria encarnação moderna do Sacro Império Romano-Germânico, todas essas seleções atravessadas em nossas redes com uma ruma de golos.
Lembrar o fato de que os belgas têm muito em comum com os franceses já não ajuda, nessa hora grave do vamuvê. Perdemos feio dos franceses em 98 e, neste 18, novamente estão voando baixo e em nosso horizonte, se passarmos por seus vizinhos. Como se não bastasse, além dessas inconvenientes coincidências com os franceses, os belgas têm uma preocupante semelhança com os… alemães!
Sabe o quê belgas e alemães têm em comum, além da fronteira e da habilidade com a bola? As cores nacionais. O verde-amarelo lá deles, belgas e alemães, é Preto, Vermelho e Amarelo. Como se não bastasse o fato de os belgas viverem recebendo más influências e ensinamentos futebolísticos dos seus vizinhos dos quatro ventos, eis que estão encravados no meio de holandeses, franceses, alemães e ingleses, os belgas, de quebra, têm as mesmas cores dos alemães de triste memória futebolística a nós brasileiros. Parece que esse pentágono obsta nosso hexa. 
Mas a informação mais alarmante, relativa a essas tais cores comuns de alemães e belgas, vou dar agora. Porque o raciocínio é simples: futebolisticamente falando, preferimos ver e cheirar o capeta a qualquer coisa que lembre os alemães. Nessa copa, já despacharam os alemães por nós. Mas eis que veremos muito de perto os belgas, suas cores e sua bandeira. E elas lembram os alemães. Os alemães e os capetas!
Calma. Explico. Os capetas, no plural, são os assessores d’O Coiso. O inominado. O Três Caras. É. Aqui na nossa vidinha a gente encontra muito delator, traíra — e a gente achava que chamar o falso de “duas caras” era o máximo. Mas o quente, mesmo, é chamá-los de “três caras”. Porque o “Três Caras” é sinônimo da Falsidade Maior(acho que nem o Guimarães Rosa se lembrou dessa).
Sim, O Coiso tem três caras. Uma amarela, uma preta e uma vermelha! Quem contou isso foi o Dante. Não a mim, à Humanidade. Lá no Canto XXXIV, do Inferno. O amarelo é a impotência, o preto, a ignorância e o vermelho, a raiva(Eu, particularmente, acho que ele tava sacaneando o Sacro Império, que tinha tais cores na bandeira).
Enfim, cá no séc.XXI, partícula de microfarinha na massa do mundo, acho melhor a gente esquecer essa conversa de impotência, ignorância e raiva dos alemães(e belgas!). Porque, com a bola, aqueles capetas são excelentes. E ladinos.

domingo, 1 de julho de 2018

O PÊNALTI.


THE PENALTY
     Juro que, quando eu era menino, e jogava futebol — sempre peladas, jogo sério mesmo, de jogar contra, acho que joguei umas três partidas —, jogava descalço, com a roupa do corpo, quero dizer, com a roupa que estava, com a roupa que ia para a escola ou para lá e para cá. Acho que nunca joguei sob a mediação de um juiz. As faltas e demais punições, inclusive os penalties, eram marcados pelos próprios jogadores, por consenso (quem falou que o consenso não é possível?).
     O que eu ia jurando, aí em cima, é que, então, goleiro era goalkeeper. Escanteio era corner. Impedimento era offside. Zagueiro era Half. E zagueiro central era back central, e é daí que vem a palavra beque. Juro que era assim que a gente se referia a esses eventos do football. Já football ninguém jogava. A gente jogava bola, mesmo.
     Pois é, tudo mudou dramaticamente: hoje é goleiro, escanteio, impedimento, zagueiro. Se aos 12 anos eu tivesse viajado para Marte e voltado agora, não ia entender nada da regulamentação do football. Exceto no caso do penalty. The penalty.
     No caso do penalty, eu ia continuar sabendo bem do que se trata, porque aportuguesaram a the penalty para pênalti (mas não todo mundo, porque vi o plural penalties em nossa imprensa, hoje). A pronúncia é a mesma, a nossa lá do início dos tempos. Então, se eu voltasse de Marte agora e fosse jogar bola, eu entenderia perfeitamente o significado da palavra pênalti ou penalty, que meu nono italiano, que, às vezes, apitava o jogo dos adultos, falava “pênis”. E, em jogando na linha, ia me esconder lá no fundo do gramado para não ser o cobrador. E, em sendo goleiro do time penalizado, ia vibrar.
     Porque, com o penalty, estabelece-se o paradoxo perfeito. Quem cobra(e pode marcar), tem tudo a perder. Quem defende(e pode sofrer gol), tem tudo a ganhar. No penalty, quem chuta tem obrigação de marcar. Quem defende, não tem obrigação nenhuma de defender.
     No penalty, quem chuta não tem sua fama aumentada se marcar. Ao contrário, se errar ou o goleiro defender, é defenestrado pela torcida e pelos colegas. Já o goleiro, se não defender, tudo bem; se defender, vira herói.
     O cobrador de penalty deveria apresentar atestado de sanidade cardíaca antes do chute.
Afinal, é pênalti ou pênalte?