terça-feira, 17 de maio de 2022

TIROTEIOS EM MASSA

 Péra aí gente, a coisa é mais grave do que eu pensava. Fui ao Gugol e digitei TIROTEIO. A primeira sugestão foi “tiroteios estados unidos”. Entrei. A primeira notícia sugerida é “Caso de Buffalo é o 198º tiroteio em massa nos Estados Unidos em 2022”, da CNN Brasil.

 Em seguida, uma notícia da abril.com.br diz que “Em 48 horas, EUA somam ao menos quatro tiroteios com vítimas fatais”.

 A notícia da CNN informa que “no ano passado, os EUA registraram 691 tiroteios em massa e quase 21.700 mortes relacionadas a disparos de arma de fogo”. É uma estarrecedora descoberta.

 Sim, descobri a partir de uma notícia na TV; eu que nunca vejo notícia na TV, hoje vi, zapeando lá. Não acreditei e vim aqui conferir. É fato! Mais de 10 tiroteios em massa por semana.

 Claro que eu sabia dos tiroteios em massa nos EUA, mas não imaginava que ocorressem nessa quantidade. Bem, não vou me alongar em especulações sociológicas, psicológicas, ideológicas sobre essa catástrofe social. Apenas digo-lhes que eu não quero viver num país com tanto ódio acumulado.

 Aqui talvez caiba uma comparação entre a violência social brasileira e a estadunidense. A nossa violência, também em massa, é decorrência da miséria. A violência deles é decorrência do ódio. Sendo que o ódio é a gigantesca frustração isolada de milhões, que vai fermentando também isoladamente, até explodir em... episódios isolados!

 É uma grave doença social, tanto que dão o nome de epidemia. Epidemia de tiroteios.

 Se coubesse a você o absurdo de escolher a fonte da violência a que seria submetido, qual delas você escolheria? Dias atrás, contei do assaltante que levou minha grana, mas deixou meus documentos (enquanto me rendia com uma faquinha, ordenou ao seu comparsa que vasculhava minha carteira que tirasse apenas o dinheiro, deixasse os documentos).

 Disse que não ia me alongar... enfim, não quero ir à AMÉRICA nem a passeio. “América”? Sim, a “América” lá deles, a doença começa aí. Da próxima vez, vou perguntar ao Gugol o que é tiroteio em massa.

domingo, 15 de maio de 2022

REZAR E COMER

 CONTO DE 500 PALAVRAS SOBRE CANIBALISMO. A primeira coisa que o cara comeu dela foi o dedo seu vizinho, aquele dos anéis. Ainda bem que ela só usava um anel, senão ele teria tido um arranhão maior na garganta.

Infelizmente o anel ainda era metálico; se fosse de plástico, como todo bom anel moderno, ele nem teria sentido. Só que ele, o anel, sendo de plástico, sairia íntegro do outro lado, e íntegro permaneceria por séculos atravancando nosso caminho. Sendo de lata, e de lata vagabunda, desintegra-se já dentro do estômago, vantagem para o fiofó.

Sim, o dedo anular, vizinho ao mindinho.

Quando jovem, o cara comia a bola. Em seguida, ainda jovem, passou a comer a bíblia. Depois, passou a comer o smartphone.

No episódio do anular, seu vizinho do mindinho, o sujeito já estava na casa dos 30 anos. Comeu o dedo, avançou para a mão, o braço e o sovaco. Mas o sovaco, sendo um oco, como o próprio nome sugere, não tem sustança de se morder, então ele atravessou aquela depressão e se concentrou nos montes frontais.

Sim, comeu um seio, depois o outro.

Aí sim, se engasgou feio, com tanto silicone. Mas engoliu.

Aí sim teve uma indigestão, com tanta matéria orgânica e inorgânica no estômago. Mas pelo fiofó a coisa fluiu fácil, deixando no terreno algo parecido com uma corda de naylon.

Dos montes frontais, ele subiu ao rosto, mas antes de comer, lambeu. Foi a pió viaje! O rímel era do Cambodja, a base, de Bangladesh e o batom, da Coreia do Norte, vermelho e amargo. Sem contar os pontiagudos pingentes nas sobrancelhas e nariz, que lhe espetaram a língua.

A língua derreteu em sua boca, feito um sorvete.

As orelhas eram só cartilagem. Aquelas tenras partes baixas das orelhas também foram transformadas em pelancas, por enormes anéis espaçadores. Mais uma vez, a garganta sofreu, com a mistura de nervuras e metais. O estômago nem tanto, que já estava quase acostumado com tantos corpos estranhos sobre o corpo.

O cabelo ele comeu, mas não me perguntem como, nem o resultado.

Do céu à terra, da cabeça aos pés. Pés e joelhos têm sua graça. Os joelhos foram descobertos na década de 1960, com o advento da minissaia. Antes, ninguém os comia, sequer se sabia da existência deles. Só as canelas que são intragáveis, ou melhor, incomíveis.

As coxas entraram no mesmo pacote que as nádegas, cujo conjunto chamamos bunda. A parte mais apetitosa foi a bunda. Ora, nem precisava falar, isso é intuitivo. Porque na bunda, mesmo com silicone, ainda sobra muita carne. E carne de traseiro, forjada no vai e vem da vida, não aquela coisa esponjosa dos seios. A fome era tanta que ele confundiu essa parte com filé.

Tudo isso no lanche da tarde, num pic nic no parque. Ou teria sido sobre os bancos do carro, num drive thru? Enfim, fome, fruta e felicidade.

Só sei que, quando o cara deu por si, tinha comido a moça. The End.

quinta-feira, 12 de maio de 2022

O CAIPIRA E O CAMELÔ

 

O CAIPIRA E O CAMELÔ. O camelô entra espalhafatoso em meu radar...; um furtivo foge afobado de fiscais após furtos a cidadãos finórios...; furto? Furtar não é quando se subtrai sutilmente? Se for, aquilo não foi furto não, aquilo foi bote.

 

Tal como o mais sonso gato, o jovem sonda o cidadão em seus mínimos gestos ao celular. Não é maldade, é sonsice e performance. Maldade é coisa de jararaca, gato é outra coisa: mão leve, olhar fixo e bote fulminante. O governo quer privatizar a Petrobrás para se isentar do aumento da gasolina.

 

E camelô não furta, camelô vende. Camelô não toma, camelô ganha: no grito, na arte e na manha. Sabe aquela estória do marido traído e do sofá? O marido pegou a mulher com outro no sofá. Aí privatizou o sofá. Camelô não vacila.

 

Camelô é instituição de cidade grande. Caipira é artesanato, camelô é arte e ardil. Gasolina uma ova: diesel, gás, até o querosene das lamparinas e dos aviões. Até velas!

 

Camelô já foi atração turística em São Paulo. Em esporádicas excursões a São Paulo, caipiras ficavam fascinados com aqueles seres extrovertidos e bem-dispostos a anunciarem improváveis produtos na via pública. Isso na década de 1950/60.

 

Dizem que o próprio Sílvio Santos ficou rico vendendo canetas nas ruas, lenda adequada a alguém que nunca deixou de ser camelô, ainda que furtivamente, surfando na superfície da superficialidade. Eu tenho uma relação de amor e ódio com os camelôs.

 

Ninguém mais usa o termo camelô, agora é ambulante ou sacoleiro. É um raro caso de nacionalização de um francesismo, que coerentemente guarda conformidade com a avacalhação da coisa. A atividade do camelô, com seus produtos e clientes típicos, dá um tratado sociológico.

 

O camelô vende produtos portáteis, baratos e cuja utilidade salta aos olhos. O produto oferecido pelo camelô não pode ser do tipo difícil, daquele que a gente vai descobrindo sua utilidade aos poucos, como um chinelo ou uma cumbuca ou uma mochila. Ou pode ser chinelo, cumbuca ou mochila descartáveis, com preços de descartáveis e aparências de duráveis.  

 

É bem ao contrário: o produto deve parecer muito útil de cara, assim como deve ser clara a grande vantagem da relação custo/benefício. O usuário deve descobrir em casa, aos poucos, que comprou gato por lebre e que a genialidade era apenas aparente.

 

O badulaque é um pequeno trambolho logo esquecido n’algum fundo de gaveta ou tão frágil que logo estraga e vai para o lixo. Odeio os camelôs no que eles têm de gananciosos alegres; eles ingenuamente acreditam que vão ganhar muito e fácil dinheiro com o genial produto.

 

Camelô nunca deve oferecer produto muito simples ou banal, que remeta o comprador à invariável banalidade da própria vida. Porque toda compra é uma fuga à mediocridade da existência. E camelô não vende produto de marca falceta. Esse é outro nicho do mercado...

 

Os próprios camelôs são os primeiros a se iludirem com as facilidades prometidas por suas pequenas engenhocas.  Mas gosto da informalidade, liberalidade e maleabilidade deles. Um camelô de verdade não briga: contorna, releva. Já os ambulantes brigam até com deus por um espaço de sobrevivência...

 

Quando vejo um camelô em atividade, torço pela venda; venda efetuada, desprezo o comprador e me comprazo com o sucesso do vendedor. O comprador está sempre à espreita de pequenas e oportunas vantagens. Sai do prejuízo por cima, sem desmoralização, porque na sua decisão de comprar estava implícito o cálculo do risco: se não prestar o prejuízo é pequeno.

 

O cliente de camelô é tão raso quanto os produtos que compra, é oportunista e gosta de levar vantagem; e ignora a engenharia social de que é vítima. O que não tem contorno e é prejuízo certo é o preço do gás. Mas aí não tem oportunismo ou ocasião ou fuga ou engenharia, é tudo preto no branco do previsível.

 

A solução é caipira: nunca comprar lebres que miam.   

segunda-feira, 2 de maio de 2022

ESCÂNDALO & VILIPÊNDIO

 A NECESSIDADE FISIOLÓGICA NA RUA, NO MEIO DO REDEMOINHO.

Se um jornal tido como sério noticia hoje, em destacada chamada, que Yasmin Brunet curte noite de carnaval sem calcinha, eu posso noticiar, sem ser considerado grosseiro ou superficial ou alienado ou sensacionalista, que, também hoje, por volta do meio dia, à Rua Santa Rosa, no Brás, São Paulo, capital, em frente à principal loja do Armazém Santa Filomena...

 ...uma mulher de cerca de 40 anos de idade abaixou suas calças em público e ficou de cócoras, para fazer suas necessidades fisiológicas.

 Eu não vi na TV ou jornal, nem ouvi no rádio, tampouco vi ou ouvi ou li em alguma rede na internet. Nenhum vizinho ou familiar me contou; eu vi, com meus próprios olhos, em plena luz do meio dia de um dia ensolarado, uma mulher adulta abaixar as calças para fazer suas necessidades fisiológicas.

 Eu não estava em nenhum posto privilegiado para observações indiscretas, nem munido de qualquer equipamento para aumento ou melhoria da visão. Eu estava andando na calçada, em meio a vários outros pedestres. Havia automóveis estacionados no meio fio, enquanto o trânsito era lento, por causa do congestionamento.

 Uma mulher de 40 anos abaixou as calças entre um carro estacionado e os carros em movimento a 10 Km/h, para fazer suas necessidades fisiológicas.

 Eu caminhava entre os carros estacionados e os em movimento, pretendendo atravessar a rua. A mulher abaixou as calças e ficou de cócoras a 10 metros de onde eu passaria, se não atravessasse a rua em meio aos carros semiparalisados pela lentidão do trânsito.

 Escrevo às 17h30, o ato foi há 5h30, creio ainda ser possível sentir ao menos o cheiro do produto deixado pela mulher, no meio da rua e dos carros e dos pedestres e do redemoinho.

 Uma mulher de 40 anos fez as necessidades fisiológicas em público, no meio da rua, em minha frente.

 A mulher na rua, no meio do redemoinho. Uma rua no centro do centro da mais rica cidade brasileira.

 Vejam bem: uma mulher. Não era uma cadela, nem uma égua, nem uma vaca, nem uma galinha. Era uma mulher. Claro, era uma mulher sem noção, sem futuro e sem banheiro. Sem nenhum escândalo e muito vilipêndio.