Péra aí gente, a coisa é mais grave do que eu pensava. Fui ao Gugol e digitei TIROTEIO. A primeira sugestão foi “tiroteios estados unidos”. Entrei. A primeira notícia sugerida é “Caso de Buffalo é o 198º tiroteio em massa nos Estados Unidos em 2022”, da CNN Brasil.
terça-feira, 17 de maio de 2022
TIROTEIOS EM MASSA
domingo, 15 de maio de 2022
REZAR E COMER
CONTO DE 500 PALAVRAS SOBRE CANIBALISMO. A primeira coisa que o cara comeu dela foi o dedo seu vizinho, aquele dos anéis. Ainda bem que ela só usava um anel, senão ele teria tido um arranhão maior na garganta.
Infelizmente o anel ainda era metálico; se fosse de plástico,
como todo bom anel moderno, ele nem teria sentido. Só que ele, o anel, sendo de
plástico, sairia íntegro do outro lado, e íntegro permaneceria por séculos
atravancando nosso caminho. Sendo de lata, e de lata vagabunda, desintegra-se
já dentro do estômago, vantagem para o fiofó.
Sim, o dedo anular, vizinho ao mindinho.
Quando jovem, o cara comia a bola. Em seguida, ainda jovem,
passou a comer a bíblia. Depois, passou a comer o smartphone.
No episódio do anular, seu vizinho do mindinho, o sujeito
já estava na casa dos 30 anos. Comeu o dedo, avançou para a mão, o braço e o sovaco.
Mas o sovaco, sendo um oco, como o próprio nome sugere, não tem sustança de se
morder, então ele atravessou aquela depressão e se concentrou nos montes
frontais.
Sim, comeu um seio, depois o outro.
Aí sim, se engasgou feio, com tanto silicone. Mas engoliu.
Aí sim teve uma indigestão, com tanta matéria orgânica e
inorgânica no estômago. Mas pelo fiofó a coisa fluiu fácil, deixando no terreno
algo parecido com uma corda de naylon.
Dos montes frontais, ele subiu ao rosto, mas antes de
comer, lambeu. Foi a pió viaje! O rímel era do Cambodja, a base, de Bangladesh
e o batom, da Coreia do Norte, vermelho e amargo. Sem contar os pontiagudos
pingentes nas sobrancelhas e nariz, que lhe espetaram a língua.
A língua derreteu em sua boca, feito um sorvete.
As orelhas eram só cartilagem. Aquelas tenras partes baixas
das orelhas também foram transformadas em pelancas, por enormes anéis espaçadores.
Mais uma vez, a garganta sofreu, com a mistura de nervuras e metais. O estômago
nem tanto, que já estava quase acostumado com tantos corpos estranhos sobre o
corpo.
O cabelo ele comeu, mas não me perguntem como, nem o
resultado.
Do céu à terra, da cabeça aos pés. Pés e joelhos têm sua
graça. Os joelhos foram descobertos na década de 1960, com o advento da
minissaia. Antes, ninguém os comia, sequer se sabia da existência deles. Só as
canelas que são intragáveis, ou melhor, incomíveis.
As coxas entraram no mesmo pacote que as nádegas, cujo
conjunto chamamos bunda. A parte mais apetitosa foi a bunda. Ora, nem precisava
falar, isso é intuitivo. Porque na bunda, mesmo com silicone, ainda sobra muita
carne. E carne de traseiro, forjada no vai e vem da vida, não aquela coisa esponjosa
dos seios. A fome era tanta que ele confundiu essa parte com filé.
Tudo isso no lanche da tarde, num pic nic no parque. Ou
teria sido sobre os bancos do carro, num drive thru? Enfim, fome, fruta e
felicidade.
Só sei que, quando o cara deu por si, tinha comido a moça.
The End.
quinta-feira, 12 de maio de 2022
O CAIPIRA E O CAMELÔ
O CAIPIRA E O CAMELÔ. O camelô entra espalhafatoso em meu
radar...; um furtivo foge afobado de fiscais após furtos a cidadãos finórios...;
furto? Furtar não é quando se subtrai sutilmente? Se for, aquilo não foi furto
não, aquilo foi bote.
Tal como o mais sonso gato, o jovem sonda o cidadão em seus
mínimos gestos ao celular. Não é maldade, é sonsice e performance. Maldade é
coisa de jararaca, gato é outra coisa: mão leve, olhar fixo e bote fulminante.
O governo quer privatizar a Petrobrás para se isentar do aumento da gasolina.
E camelô não furta, camelô vende. Camelô não toma, camelô
ganha: no grito, na arte e na manha. Sabe aquela estória do marido traído e do
sofá? O marido pegou a mulher com outro no sofá. Aí privatizou o sofá. Camelô
não vacila.
Camelô é instituição de cidade grande. Caipira é artesanato,
camelô é arte e ardil. Gasolina uma ova: diesel, gás, até o querosene das
lamparinas e dos aviões. Até velas!
Camelô já foi atração turística em São Paulo. Em
esporádicas excursões a São Paulo, caipiras ficavam fascinados com aqueles seres
extrovertidos e bem-dispostos a anunciarem improváveis produtos na via pública.
Isso na década de 1950/60.
Dizem que o próprio Sílvio Santos ficou rico vendendo
canetas nas ruas, lenda adequada a alguém que nunca deixou de ser camelô, ainda
que furtivamente, surfando na superfície da superficialidade. Eu tenho uma
relação de amor e ódio com os camelôs.
Ninguém mais usa o termo camelô, agora é ambulante ou
sacoleiro. É um raro caso de nacionalização de um francesismo, que coerentemente
guarda conformidade com a avacalhação da coisa. A atividade do camelô, com seus
produtos e clientes típicos, dá um tratado sociológico.
O camelô vende produtos portáteis, baratos e cuja utilidade
salta aos olhos. O produto oferecido pelo camelô não pode ser do tipo difícil,
daquele que a gente vai descobrindo sua utilidade aos poucos, como um chinelo
ou uma cumbuca ou uma mochila. Ou pode ser chinelo, cumbuca ou mochila descartáveis,
com preços de descartáveis e aparências de duráveis.
É bem ao contrário: o produto deve parecer muito útil de
cara, assim como deve ser clara a grande vantagem da relação custo/benefício. O
usuário deve descobrir em casa, aos poucos, que comprou gato por lebre e que a
genialidade era apenas aparente.
O badulaque é um pequeno trambolho logo esquecido n’algum
fundo de gaveta ou tão frágil que logo estraga e vai para o lixo. Odeio os
camelôs no que eles têm de gananciosos alegres; eles ingenuamente acreditam que
vão ganhar muito e fácil dinheiro com o genial produto.
Camelô nunca deve oferecer produto muito simples ou banal,
que remeta o comprador à invariável banalidade da própria vida. Porque toda compra
é uma fuga à mediocridade da existência. E camelô não vende produto de marca falceta.
Esse é outro nicho do mercado...
Os próprios camelôs são os primeiros a se iludirem com as
facilidades prometidas por suas pequenas engenhocas. Mas gosto da informalidade, liberalidade e
maleabilidade deles. Um camelô de verdade não briga: contorna, releva. Já os
ambulantes brigam até com deus por um espaço de sobrevivência...
Quando vejo um camelô em atividade, torço pela venda; venda
efetuada, desprezo o comprador e me comprazo com o sucesso do vendedor. O
comprador está sempre à espreita de pequenas e oportunas vantagens. Sai do prejuízo
por cima, sem desmoralização, porque na sua decisão de comprar estava implícito
o cálculo do risco: se não prestar o prejuízo é pequeno.
O cliente de camelô é tão raso quanto os produtos que compra,
é oportunista e gosta de levar vantagem; e ignora a engenharia social de que é
vítima. O que não tem contorno e é prejuízo certo é o preço do gás. Mas aí não
tem oportunismo ou ocasião ou fuga ou engenharia, é tudo preto no branco do
previsível.
A solução é caipira: nunca comprar lebres que miam.
segunda-feira, 2 de maio de 2022
ESCÂNDALO & VILIPÊNDIO
A NECESSIDADE FISIOLÓGICA NA RUA, NO MEIO DO REDEMOINHO.
Se um jornal tido como sério noticia hoje, em destacada
chamada, que Yasmin Brunet curte noite de carnaval sem calcinha, eu posso
noticiar, sem ser considerado grosseiro ou superficial ou alienado ou sensacionalista,
que, também hoje, por volta do meio dia, à Rua Santa Rosa, no Brás, São Paulo,
capital, em frente à principal loja do Armazém Santa Filomena...