Sim, acabo de fazer o Caminho da Fé (CF), eu e meu irmão. Saímos de Tambaú SP e fomos até Aparecida SP, cruzando a Serra da Mantiqueira pelo sul de Minas Gerais.
Deu 400 Km
em 12 dias de caminhada, no estilo raiz de peregrinação, levando a mochila de 7
Kg nas costas.
O CF é uma
rota demarcada com setas amarelas, no estilo do Caminho de Santiago (Espanha).
Existe uma associação que o administra, tem um site com todas as informações, é
um projeto turístico com apelo religioso.
Em Aparecida
SP está a imagem de Nossa Senhora Aparecida, a padroeira dos católicos
brasileiros.
Quem não tem
dinheiro para ir até a Europa peregrinar, pode fazer o CF aqui pertinho, mas as
pousadas (muitas na zona rural, em casa de moradores) são mais caras do que os
albergues do Caminho de Santiago (com Euro caro e tudo).
Com
alimentação e pousadas, o peregrino gasta cerca de 120 reais por dia.
Há vários
ramais que se unificam em A. da Prata e, daí até Aparecida são 300 Km, que os
caminhantes costumam fazer em 15 dias, caminhando 20 Km por dia. Quase todo o
caminho é feito em estradas secundárias de terra, cruzando vales e cumeeiras.
Os vales,
onde se localizam as cidades e povoados, têm altitude média de 900 metros e as
cumeeiras, 1300 metros. É, portanto, um sobe e desce constante e muito exigente
fisicamente, mas que proporciona paisagens deslumbrantes a todo momento.
Antes de
Campos do Jordão, a altitude chega a 1800 metros e, após, no auge da Serra do
Quebra Pernas, dentro do Parque Estadual de C. Jordão, a altitude vai a quase
2000 metros.
Atualmente,
cerca de 80% dos frequentadores do caminho são ciclistas. É um público de poder
aquisitivo mais alto do que o peregrino tradicional e as pousadas e
restaurantes vão-se adaptando a ele, com preços mais elevados e abandono da
simplicidade original.
A elevação
dos preços afugenta os peregrinos mais pobres; o abandono da simplicidade atrai
muitos turistas convencionais.
A exploração
comercial se intensifica: já há verdadeiras agências de viagem, que organizam grupos
de peregrinos ou bicigrinos (bikers; bicicleta agora é bike).
Mediante
pagamento, há pessoas ou empresas que transportam mochila, acompanham com carro
onde levam água, alimentos e peregrinos cansados.
Entusiastas
particulares têm construído capelas ao longo da estrada. Há uma febre de construção
dessas igrejinhas. Além do apelo
religioso, há sanitários e água potável em algumas. Tratam-se de apoios práticos
ao caminhante.
Lá no CF, só
fé e reza não bastam. É preciso ter bom preparo físico e, nos 20 Km entre uma
cidade e outra, comer e beber muita água.
Ao final, em
Aparecida, o peregrino raiz leva uma ducha de água quente, mediante o pagamento
de 10 reais (nas instalações anexas à basílica) e uma ducha de água fria,
diante da indiferença da multidão formada pelo turismo religioso de massa e da profusão
de badulaques religiosos à venda.
Nenhum comentário:
Postar um comentário