quarta-feira, 16 de novembro de 2016

CRÔNICA SOBRE CRIME PASSIONAL

Rodolfo, pai, mata Fernando, filho, depois mata a si próprio, porque...

Bem, foi um crime passional.

Tudo culpa da palavra "azimute" e da expressão  "statu quo".

O pai assassino era partidário de "azimute", enquanto o filho assassinado era partidário de "statu quo".

Minto, quer dizer, reajo. Não foi tudo culpa de azimute e statu quo. Contribuiu muito para o duplo assassinato a pistola ponto quarenta da delegada aposentada...

É, a esposa-mãe, agora viúva e sem filho, tinha no armário uma ponto quarenta, herdada do tempo de delegada de polícia. Segundo ela, essa arma garantia a segurança da família...

Continuo sendo parcial. Não foi com a ponto quarenta que o pai matou o filho e a si próprio.

O pai era engenheiro civil. Quando se casou, sua mulher já era delegada e trouxe a ponto quarenta para dentro de casa. Então ele, muito macho, comprou uma ponto quarenta e cinco e uma carabina e uma cartucheira de caça.

De modo que o filho, Fernando,  já nasceu nesse ambiente seguro.

Mas a vida teria continuado se o filho fosse um mamute, e tivesse na vida um só azimute, como o pai. Só que não. Era um menino normal, saudável, ligado no mundo - no círculo, no globo, no conjunto, no status quo.

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