sexta-feira, 18 de novembro de 2016

O ANTONOV

     Tão logo soube da vinda do Antonov ao Brasil, sabia que esse nome dava uma crônica. Só não sabia como nem porquê. Nem tentei escrevê-la, ia esquecendo, quando, nesta manhã, ouvi as peripécias da minha irmã para digitar Antonov no smartphone. A minha irmã é apenas um pouco menos analfabeta que eu em esmartefonês. Ela teclava as letras  a n t o n o v   e  o seu aparelho escrevia antonio. Ela logo emendou a me contar sobre os trabalhos de controle do tempo e da janela para ver o Antonio, ops, o Antonov passando sobre sua casa, que fica na rota de Cumbica, que não sei se, afinal, ela conseguiu fazer o seu display exibir "Antonov" ou se ela deixou por "Antonio" mesmo (tiro por mim, tento duas vezes, na terceira desisto do esmartefonês).

     Mas, pronto, tinha o tema da crônica. SQN. Tinha dois, tinha três, tinha temas para várias crônicas(mas fiquem tranquilos, vou enfiá-los todos aqui nesta única). Começa que eu também morri de vontade de ir ao aeroporto ver o Antonov com meus próprios olhos. Só não fui de vergonha...;  o que é que toda a vizinhança iria pensar? Eu nunca mais poderia dizer e menos escrever algo pretensamente racional. Teria de abdicar do meu pretenso humanismo em favor da máquina. Seria ridicularizado quando tentasse alguma tirada cética e nunca mais seria levado a sério quando desdenhasse do fetichismo tecnológico. Então, não fui. Mas vi os vídeos...

     E também consultei o google. Não tem nada mais anticapitalista do que o Antonov. Não, não é porque ele foi fabricado pelos sovietes da Rússia, ainda no tempo da URSS, década de 1980. Os comunistas fabricavam carros de passeio: não tem nada mais capitalista do que carros de passeio. O Antonov contraria todas as práticas capitalistas porque é único. É! Um único exemplar. Pensaram, projetaram, construíram galpões e máquinas especiais, desenvolveram materiais específicos, turbinas, janelas, pneus e então, quando já tinham gastado um monte de tempo e dinheiro e pestana, fizeram um e pararam. O capitalismo inundaria o céu de Antonovs...

     Então pensei: se os aeroportos estão todos atravancados com essas merrecas de airbus e boeings, com suas tímidas fuselagens e seus insignificantes pares de turbinas, imagina os céus cheios de Antonovs... O trem de pouso deve ter uns 50 pneus. Apenas um mal parafusado que despencasse sobre a cidade já seria um estrago, e isso seria bem provável, porque quem aguenta apertar 50 pneus numa mesma máquina em uma linha de montagem? E são 3 pares de turbinas, muito mais ronco e fumaça e, então, os aeroportos seriam expulsos para longínquas distâncias. Os carros comunistas não inundaram o planeta, tinham envergadura de menos... Ainda bem que foram os comunistas que conceberam e projetaram e fabricaram o Antonov...

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