segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

O PRIMEIRO EBOOK QUE LI.


O PRIMEIRO EBOOK QUE LI.
Devo confessar a vocês que o primeiro livro digital (ebook) que li na vida tem o seguinte título: “UM MILHÃO DE PASSOS PENSOS. No Picadão de Cuyabá”, de um certo Roberto Buzzo. Foi publicado neste mês. Ora, sou antigo, tenho mais de sessenta. Gosto de livro de papel, com no mínimo 200 gramas de peso. E, de preferência, que tenha mais de 150 páginas. E que esteja surrado, se obtido em biblioteca ou sebo.
Mas, enquanto autor, fujo do livro impresso. É tudo muito caro: edição, diagramação, impressão. E, distribuição! A distribuição (colocar o livro nos pontos de venda) é quase tudo. Escrever é fácil, difícil é vender. Isso é assim para qualquer produto que se queira vender, desde um alfinete até um avião, passando pelo livro, que é uma mercadoria tanto quanto um sabonete.
Qualquer campanha publicitária custa uma fortuna. E o retorno é incerto. E tem coisa mais constrangedora do que um autor fazendo propaganda de seu livro? Tem: um médico ou um hospital fazendo propaganda de seus serviços.
Mas o mais constrangedor do livro impresso é o estoque. Um livro de 21x14x1,5cm pesa cerca de 200 gramas. Duzentas unidades desse livro ocupa no espaço da sua sala um espaço de 100(cem) litros e pesa tanto quanto uma saca de batatas (40 kg).
É quase inevitável que autores desconhecidos (em geral, de primeira viagem) e metidos a besta (que bancam a publicação, praticamente a única maneira de ver o livro publicado) passem pelo vexame de tropeçar no trambolho na sala por largo tempo, alguns até o fim da vida. Poucos mais pernósticos passam a vida a importunar pedestres próximo a museus, tentando desovar o estoque.
Porque o pretensioso manda imprimir 300 exemplares. Vende 100, com sorte e muito esforço. E fica com os 200 atrapalhando o direito do seu cônjuge de ir e vir.
O livro digital (ebook) é uma beleza. Pesa 0,00, tem o volume de 0,00 e até na memória do seu smartphone quase não existe (o meu ocupa meros 1300 Kb). E, num piscar de cliques, é colocado lá nas prateleiras virtuais das maiores livrarias do mundo, ao lado dos clássicos e dos best-sellers.
Quer dizer, mais ou menos. Menos, menos. De fato, ele está lá, público, à disposição de qualquer neozelandês, russo, francês. O diabo é que ele está entre bilhões de bits, um grão de areia no deserto.
Seus amigos e colegas e familiares não se interessam por ele, porque santo de casa não faz milagre. E os demais mortais têm mais quê fazer a perder tempo com as ideias de um desconhecido. Não, os demais mortais jamais tomarão conhecimento da sua existência. Para que o ebook saia desse biliardário anonimato, é preciso que um conhecido o mostre.

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