Declarei,
na crônica anterior, que não tenho pena de cachorro abandonado.
Fazer o quê, se tenho essa tendência de dar murro em ponta de faca?
Posso, não sou candidato a nada, não estou vendendo nada. (Ops! Tô
vendendo um livro em formato eBook, mas esse tá vendendo mais que
mamão na xepa, apesar do autor pouco esforçado e antipático).
O
cachorro abandonado pode morrer, mas acho melhor morrer do que ter um
dono pra viver lambendo as botas. E quando o cachorro sobrevive, é
como se ganhasse na loteria, naquela vida à larga, em meio aos
outros (e outras!) da espécie.
Não
tem jeito, ninguém me tira da cabeça que estar sob o jugo de um
humano não é vida pra cachorro. Se o dono-humano for de
apartamento, então, pior. A primeira coisa que ele faz é capar o
espécime. O humano pode deixar o animal com as bolas ou os ovários,
mas essa alternativa é pior: não deixa o bicho brincar com os e as semelhantes.
Mas
se você chegou até aqui e ainda não me odeia, vou em frente. É
desumano jogar pedra ou chutar cachorro?
Antes
de continuar, quero ressalvar e registrar aqui que os argentinos e os
chilenos são muito mais humanos com os cachorros do que nós. Ao
menos foi o que presenciei in loco, em viagens. A amostra é ínfima,
mas suficiente para me convencer.
Quanto
a chutar cachorro, se esse humano é des alguma coisa, seria
descanino. Para ser desumano, ele teria de chutar outro humano (ou
seja: tratar outro humano como se ele fosse animal de outra espécie).
Porque
uma atitude com a qual não me conformo é esse antropocentrismo em
relação aos desumanos. Ops! Aqui temos novidade. Perceberam que
chamo todos os outros animais de desumanos? Desumano, aquele que não
é humano.
E
não me conformo com esse costume que parece já ser dominante, de
avaliar as necessidades dos desumanos como se eles fosses humanos.
Creio que “antropocentrismo” não atende ao que estou querendo
dizer; nem etnocentrismo. Egocentrismo, talvez.
Acho
que o termo ainda não existe. Vou chamá-lo, provisoriamente, de
Síndrome do Sebastião. Essa coisa de chamar cachorro de meu bem,
dar a ele um nome de gente, fazer uma caminha pra ele, cobri-lo com
cobertor, vesti-lo! Fazer festa de aniversário pro cachorro! Quem garante que cachorro gosta de ser acariciado
por patas de bicho de outra espécie?
E, para terminar, quero garantir a você, dono de cachorro, que seu cãozinho não entende nenhuma daquelas suas adocicadas frases com mais de uma palavra.
Quanto
aos gatos e aos donos e donas de gatos, tenho a dizer que esta é uma
crônica de cachorros.
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