O FUTURO DAS MULHERES BRASILEIRAS.
Agora que a extrema-direita galgou o poder, o que será
do futuro das mulheres do Brasil, meu deus? Ia indo tão bem, conseguimos até
eleger uma mulher para a presidência, nenhuma mulher precisava mais vender seu
corpo para comprar arroz e feijão, nenhuma mulher precisava mais criar o filho
sozinha por causa do sumiço do pai, de repente, inesperadamente, antes do
previsto, o exército de Brancaleone e machos brancos entra pelo portão do país
com a maior facilidade, acho até que as portas foram abertas pelos nossos
antigos comandantes, o que será agora das nossas mulheres, que estavam ganhando
a mesma coisa que os homens em funções similares, que ocupavam os altos
escalões das empresas em pé de igualdade com os homens, que fundavam igrejas
neopentecostais e já já iam começar a rezar missa? Agora nossas mulheres vão
ter de retornar ao antigo esquema de tripla jornada, trabalhar fora, lavar,
passar, cozinhar, não passar não, que ninguém mais passa roupa, quem diz que a
gente não evolui?, criar filho. Logo mais será criada uma lei em que será
obrigatório aquilo que muitas mulheres já fazem, que é tirar a bota do marido
quando ele chega em casa e aquela lei que permitia ao marido anular o casamento
caso a mulher não fosse virgem, que afinal acabou faz pouco tempo, certamente
vai voltar, isso não é difícil, burocraticamente falando. Foram 20 anos de
avanços extraordinários para a mulher brasileira, de repente foi tudo por água
abaixo, agora elas vão ter de cobrir os ombros para entrar na igreja e logo,
logo, serão proibidas de usar calça comprida, o que vou achar muito bom, porque
gosto de mulher de vestido. Meu deus, o que será das feministas brasileiras? Claro,
já fugiram todas pra Miami, não Miami não, que não são bestas, fugiram todas
pra Paris e as mais pobres pra Montevidéu. Bem-feito para elas, que
atrapalharam o processo de emancipação da mulher brasileira, não fosse elas as mulheres
brasileiras estariam muito mais à frente, graças à compreensão e apoio dos
homens... que tristeza saber que a metade dos parlamentares brasileiros terá de
voltar para casa, numa casa em que já é obrigatório o uso do terno e gravata. Estávamos
tão bem, as mulheres já ocupavam quase metade da Câmara e progrediam no Senado,
agora elas, logo, logo, nem poderão votar, meu deus! Mas tudo tem seu lado bom.
Pense nas empresas, que não terão de pagar auxílio-maternidade nem se preocupar
com mulher grávida na hora da admissão; nas crianças, que serão mais bem
educadas; nas comidas, que serão mais bem temperadas; nos lares, que serão mais
bem arrumados; nos casamentos, que serão mais bem definidos; na autoridade, que
será muito bem definida. Pense na indigência cultural da subserviência colonial
que nos leva ao automático alinhamento de narrativa com a diretriz
estadunidense, que é deprimente.
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