sexta-feira, 13 de agosto de 2021

QUE SORTE!

 QUE SORTE!

Eu tinha um compromisso inadiável agora de manhã. Levantei tarde, com tempo apenas de tomar o café e sair. Estiquei o olho na janela e vi que, além de frio, estava chuviscando lá fora. Ô tristeza! Porque frio com garoa ninguém merece. E o tempo estava daqueles em que, não precisando, o cidadão fica em casa.

Tomei café, vesti uma camiseta, um fleece e uma capa de chuva que, em verdade, é um casaco perfeito, com manga e gorro. Quando saí, a garoa tinha parado, só ficaram o frio e a umidade. Subi o morro da Paulista andando depressa e, lá em cima, 1,5 quilômetros depois,  eu estava molhado da cintura para cima. É que a capa-casaco, perfeitamente assentada no corpo, é totalmente impermeável e... totalmente NÃO transpirável. O suor bate e volta. Ou melhor: bate e fica.

Quando cheguei ao destino e parei, daí a pouco comecei a passar frio. Não tem agasalho que aquece um corpo molhado no frio. Pensei: daqui a pouco apanho uma pneumonia e morro. No trajeto de 1500 metros fui abordado por 4 pedintes e vi 3 crianças de rua nos colos dos respectivos pais. Pensei: frio, garoa, pobreza e desamparo, ô miséria! Hoje o dia tá desinfeliz.

Na Brigadeiro com a Cincinato, um ônibus articulado passou ventando na sarjeta, assustando a moça que caminhava distraída na calçada. Do outro lado, eu via a cena de esguelha e em fuga, eis que o tal ônibus vinha para meu lado feito doido e eu tinha toda razão, porque o monstro teve de subir no meio-fio para completar a curva.

Peguei a bicicleta na oficina e só não passei por cima da tachinha que estava de tocaia no primeiro quarteirão da ciclovia porque o ciclista que ia em minha frente passou primeiro. Pensei: êta vida perigosa, meu deus! Porque é de lascar trocar câmera de ar debaixo de frio e garoa.

Entretanto, nada me abalava e meu bom-humor permanecia em alta. Voltei para casa e saí de novo, de carro, para fazer uma pequena corrida de uber familiar. Não peguei um farol aberto e uma rua desatravancada e gastei 40 minutos para rodar 3 quilômetros. Prejuízo na certa.

Enfim, voltei para casa e só então, ao acender o smartphone, descobri o grande risco que havia passado nessas duas aventuras extradomiciliares: hoje é sexta-feira, dia 13. E, como se não bastasse, de agosto!

Agora estou em vias de fechar todas as janelas e cortinas e me encobertar na cama, para emergir somente amanhã, quando o azar já estiver longe e a cidade equilibrada e feliz. Ora, se todo mundo defende na cara dura a meritocracia e a desigualdade, por que eu não posso defender a sorte e o azar? Alienado é seu tio!

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