domingo, 20 de setembro de 2015

Caipira no cinema 3D.



CINEMA TRÊS DÊS.

Não, o certo é 3 D – três dê – dê no singular, sendo que o certo mesmo seria 3ª D, sendo que D é abreviatura de dimensão, mas o fato é que ontem fui ver EVERESTE em 3 D no Chopim novo da Paulista, andei subindo umas montanhas por aí, o tema me interessa, vi o anúncio... Na entrada eles dão um par de óculo pra gente – um óculus, porém óculus é plural e um é singular... e aí a gente põe os óculus e, de repente, a nave de Star Wars vem por cima da gente que é um salve-se quem puder, isso no começo, propaganda de outro filme.


Sim, foi a primeira vez que vi um filme 3D. Vou ao cinema uma ou duas vezes por ano, pra manter o padrão da minha infância. Antes preciso dizer que sou um sujeito do fundo do fundo do mundo, quer dizer, sou caipira dos caipiras, eu morava no sítio – diminutivo de fazenda – enquanto todo mundo já morava na cidade. Eu utilizava um cavalo como meio de transporte, ou seja, eu ia montado num cavalo pra escola, garoto de onze anos. Dá pra acreditar que ainda vive no mundo um sujeito relativamente jovem e ainda bem disposto que utilizou cavalo como meio de transporte?


Na sétima série eu achei que cavalo era demais e requeri do meu pai uma bicicleta. Bike não, pelamordedeus. Ele comprou, usada. Havia umas cem bicicletas no pátio do colégio, lá todo mundo ia de bicicleta, elas tinham placa, pagavam imposto. Nunca jamais alguém prendeu uma bicicleta com corrente e cadeado, todo mundo conhecia a bicicleta de todo mundo... Enquanto meus colegas ouviam Beatles e jovem guarda, eu ouvia música caipira, sendo que muitas vezes ao vivo, enquanto eles só ouviam disco, acho que é esse o motivo de eu ter saído mais esperto que eles, rsrsrs. O fato é que, enquanto meus colegas citadinos iam ao cinema toda semana, eu ia apenas uma ou duas vezes por  ano...


Em Orindiúva, quando ia visitar meus avós maternos. Década de 1960, cidadezinha de mil habitantes à beira do Rio Grande e havia cinema! Apenas lá eu ia ao cinema, para ver Maciste, Hércules e faroeste italiano. Eu tinha medo de ser atropelado pelo cavalo do mocinho, que vinha disparado na direção da plateia... sendo que era filme dois dê. Maciste jogava uma pedra maior que ele lá de cima da montanha e ela vinha rolando na nossa direção, eu queria morrer. A televisão ainda não havia chegado naquele mundo não.


De modo que abaixei, sim, quando a nave intergaláctica veio em minha direção. Fazer o quê, se essencialmente continuo aquele garoto ressabiado saído do fundo do íntimo da estrada? O filme é fraquinho meio moralista, mas tem umas tomadas 3D interessantes...

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