sábado, 19 de setembro de 2015

Velho é uma desgraça!



VELHO É UMA DESGRAÇA!

Acreditam que hoje proferi a idiota frase acima? Em voz alta. Havia um interlocutor, outro humano. Humana, no caso, a cobradora do ônibus. Sim, a oração completa, sujeito, verbo, predicado. E a exclamação. Mas foi sem querer... explico. E desde já sei que não convenço. A cobradora era moça, falei para ela, me referindo à velhice em geral, por conta de duas velhas que me desacataram... Sei que quanto mais me explicar, mais me afundarei no pântano dos imbecis... porque, quem fala uma frase dessas não tem perdão nem explicação. Eu me arrependi na hora, mas não pedi perdão. Usei o direito de permanecer calado que a lei me assegura... aqui, no recesso do lar, eu me explico e me expio, mas na vida, pra valer, eu me calei, porque tudo que eu acrescentasse só aumentaria a enorme asneira que tal frase suscita, só agravaria o meu crime.

Mas as duas velhas me  encheram o saco, isso é verdade, só que eu tive culpa também e elas não precisariam ser velhas para fazerem o que fizeram. Vejam que esse “as duas velhas” denunciam o meu preconceito... eu peguei o Parque D.Pedro na Brigadeiro, estava cheio, estava com todas as poltronas ocupadas, nem passei a catraca, me postei ao lado da porta oposta àquelas que estavam operando. É, em S.Paulo os ônibus têm portas dos dois lados, porque alguns pontos são no canteiro central ou do lado esquerdo da via, de maneira que, ali na Praça João Mendes, o tal ônibus para do lado esquerdo e abre a porta... exatamente aquela em que eu estava em frente, atrapalhando o fluxo...  Resultado: as duas velhas iam descer e eu estava na frente delas, feito um paspalho e, em sendo grosseiras e afoitas por natureza, me xingariam mesmo que fossem moças!

Em seguida fui passar a catraca e disparei a frase fatal, me referindo ao episódio. A coitada da cobradora sorriu amarelo e permaneceu calada. Quantos broncos ela ouve por dia? Só que a minha frase pretendia ser irônica, quase uma piada, me incluindo, com meus fios brancos, no meio da desgraça. Mas não consegui a entonação correta e a frase saiu literal. Eu tentei exercer aquela recomendação de que não devemos jamais fazer piada ou brincar contra minorias inferiorizadas por preconceito, a menos que façamos parte da minoria referida. Então, eu, velho, fazia piada contra velho. Porém, como já disse, não deu certo e o que saiu foi uma grosseria monumental.

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