PARQUE DE
DIVERSÕES.
Tomei café e
saí na janela para ver o mundo. Céu luminoso e mais ou menos limpo, por causa
da chuva de ontem, friozinho gostoso, eu estava predisposto querendo ser feliz.
De repente vi que o mundo havia se transformado num parque de diversões.
Carrinhos pra todo lado, pra lá e pra cá, nas paralelas e transversais e no
entremeio. Dentro de cada um, um homem brincando, feliz com seus badulaques.
Explico. Em
frente ao meu prédio há um grande terreno vazio, que atravessa o quarteirão,
resultado de múltiplas demolições de casarões antigos da Bela Vista. (Há placas
anunciando que serão erguidas algumas torres nele). Minha janela fica a uns 15
metros de altura, de modo que vejo a minha rua e a rua de trás e também a
transversal da esquerda. E é aí que vejo os carrinhos de brinquedo que vão e
que vêm e que sobem e que descem. E adivinho o abrir e fechar dos faróis vendo
os três trechos se entupirem e se esvaziarem com os brinquedos. E vejo centenas
de brinquedos entupindo estáticos o terreno vazio em frente. E vejo também o
posto de gasolina na esquina à esquerda e sinto o cheiro da oficina mecânica
embaixo e ouço os esguichos do lava-rápido ao fundo e me divirto com a
estridência do apito do marronzinho porque o farol embandeirou.
E ninguém
buzina. Estão brincando, não carece de ter pressa. A buzina está fora de moda.
Pior: a buzina denuncia amadorismo, ou seja, impaciência. E só os inexperientes
são impacientes, os que vão trabalhar de ônibus todo dia e, eventualmente,
tiram o brinquedo da garagem. Então sofrem, se desesperam, buzinam. Para
escárnio dos experientes motoristas de todo dia, já devidamente adaptados ao
parque.
Não, não é
circo. É parque. Um parque pobre, porque só tem um brinquedo, mas grande. Um
parque do tamanho do mundo que me envolve, que me aliena.
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