LOS PERROS
Primeiro, que na Argentina
tem muito cachorro vira-lata na rua. E andam em grupos de 3 ou 4. Segundo, que
não vi nenhum argentino gritando ou chutando cachorro. Passei por lá há dois anos. Enquanto esperava o
início da viagem, dentro do ônibus, no terminal em Córdoba, um cachorro tentava
desvirar um balde plástico numa plataforma vazia. O vigilante aproximou-se para
afastá-lo. Mas o fez de maneira tão delicada, como se fora seu próprio filho. O
cachorro saiu mas voltou. O vigilante novamente afastou-o, ainda sem qualquer
violência.
Três dias depois, num restaurante do calçadão da elegante rua
Sarmiento, em Mendoza, um vira-lata passeava entre as mesas, sem ser molestado.
Ao contrário, o vi recebendo vários afagos por onde passava. No pescoço, uma
coleira com a inscrição destacada: ADOTE-ME, com instruções aos interessados. E
minha interlocutora, que estivera em Santiago do Chile semana antes, me
informava que lá tinha mais cachorros ainda.
Parece que os cachorros são
realmente amigos dos argentinos. Não no sentido sacana e passional, aquele do
“o cão é o melhor amigo do homem” — seu dono —, mas no sentido fraternal, de amar
os cães sem dono.
Bem, tive um choque,
porque, na minha terra, até os cães de estimação são tratados a berros e ponta
pés. Eu mesmo sou autor de uma teoria bélica de como enfrentar cachorros
vira-latas pelos caminhos.
Gol dos argentinos! E dos chilenos!!
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