13.03.2016.
Fui e voltei de bicicleta na Avenida Paulista hoje, entre 10 e 10h30. O palco
do carnacoxinha estava sendo montado. Banheiros portáteis, carretas de som, polícia militar reunida para instruções.
Pois saibam – quem não é de SP – que domingo
é dia de festa na Paulista. Todo domingo, graças à ciclovia e ao fechamento
para carros. Artistas de todas as cores exibem-se por lá, como meio de vida. O
cover do Elvis Presley, em frente ao Conjunto Nacional, montava sua
parafernália.
Um
gaúcho de bombacha (e chapéu e lenço e colete e guaiaca e bota, traje típico
completo, enfim) quase nem seria notado num domingo comum. Mas hoje, sua
presença era emblemática. Porque o carnacoxinha (mais de 10 trios elétricos –
caminhões enormes) tem como tema a saudade.
Sabe aquele suspiro que todos nós damos,
às vezes, seguido da expressão “No meu tempo que era bom!”? Pois esse é o tema
do carnacoxinha de hoje na Paulista. Uma festa ao
passado.
Ao tempo em que se trabalhava com gosto,
patrões e empregados todos juntos, de sol a sol, sem salário e sindicato.
Às caravelas, às escaramuças contra os
índios, às capitanias hereditárias, às entradas e bandeiras, ao tráfego
negreiro, ao voto censitário, à política do café com leite, à mulher submissa,
ao casamento indissolúvel, ao patriarcalismo.
Quando havia muitos filhos, os velhos não
precisavam de aposentadoria. Não havia poluição, os alimentos eram
saudáveis, todos tinham saúde, ninguém
precisava de assistência médica (aliás, médico era coisa de rico).
Quando todo mundo conhecia todo mundo e os
negócios eram garantidos pelo fio do bigode e ninguém precisava saber ler e
escrever, portanto.
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