Pronto, resolvi o problema! É Marx &
Friedrich. Quero ver agora!
Friedrich serve para o Hegel, o Engels e
até para o Nietzsche.
Que mimporta que Marx & Friedrich
nunca apareceram juntas? Calma, Marx & Friedrich – os três – eram homens
machos, não estou insinuando nada. Quando escrevo “juntas”, no feminino, me
refiro às palavras.
Porque as palavras são traiçoeiras. Ainda
mais quando escritas. Por isso tem gente que não escreve nada. Não querem
correr risco, são precavidos. Têm consciência de serem analfabetos funcionais.
São incultos, mas não são bobos.
Só que, coisa de uns 10 anos, apareceu a
diaba da rede social. Orkut, Facebook, Twitter... Então foi a esculhambação.
Foi como se tivessem acendido a luz do mundo. Do nosso mundo, composto dos
nossos parentes, amigos e colegas. Foi-nos confirmado aquilo que a gente já
sabia, mas não tinha provas.
Porque, meus caros analfabetos que me leem
(tenho alguns leitores analfabetos funcionais, alguém disse outro dia que 75%
dos brasileiros são assim), vocês não têm noção do que os que sabem ler e escrever conseguem ver num texto. Nas linhas e nas entrelinhas.
Esse fenômeno (todo mundo pode escrever e
publicar sem nenhum controle) tem tumultuado a vida pública. Umberto Eco, escritor italiano recentemente
falecido, disse que é isso que dá franquear a palavra a milhões de imbecis (dele,
recomendo o romance “Número Zero”, publicado em português, pela Record).
Vocês já prestaram atenção nas falas do
juiz Sérgio Moro? Notaram que ele enrosca em frases e conceitos? E agora
esses promotores de São Paulo, com esse Marx & Hegel enfiado numa peça
formal. Isso me deixa atônito, porque leio nas entrelinhas que a cultura ligeira está transbordando da internet para a elite da burocracia oficial.
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