sexta-feira, 11 de março de 2016

MARX & FRIEDRICH

     Pronto, resolvi o problema! É Marx & Friedrich. Quero ver agora!

     Friedrich serve para o Hegel, o Engels e até para o Nietzsche.

     Que mimporta que Marx & Friedrich nunca apareceram juntas? Calma, Marx & Friedrich – os três – eram homens machos, não estou insinuando nada. Quando escrevo “juntas”, no feminino, me refiro às palavras.

     Porque as palavras são traiçoeiras. Ainda mais quando escritas. Por isso tem gente que não escreve nada. Não querem correr risco, são precavidos. Têm consciência de serem analfabetos funcionais. São incultos, mas não são bobos.

     Só que, coisa de uns 10 anos, apareceu a diaba da rede social. Orkut, Facebook, Twitter... Então foi a esculhambação. Foi como se tivessem acendido a luz do mundo. Do nosso mundo, composto dos nossos parentes, amigos e colegas. Foi-nos confirmado aquilo que a gente já sabia, mas não tinha provas.

     Porque, meus caros analfabetos que me leem (tenho alguns leitores analfabetos funcionais, alguém disse outro dia que 75% dos brasileiros são assim), vocês não têm noção do que os que sabem ler e escrever conseguem ver num texto. Nas linhas e nas entrelinhas.

     Esse fenômeno (todo mundo pode escrever e publicar sem nenhum controle) tem tumultuado a vida pública.  Umberto Eco, escritor italiano recentemente falecido, disse que é isso que dá franquear a palavra a milhões de imbecis (dele, recomendo o romance “Número Zero”, publicado em português, pela Record).


     Vocês já prestaram atenção nas falas do juiz Sérgio Moro? Notaram que ele enrosca em frases e conceitos? E agora esses promotores de São Paulo, com esse Marx & Hegel enfiado numa peça formal. Isso me deixa atônito, porque leio nas entrelinhas que a cultura ligeira está transbordando da internet para a elite da burocracia oficial.  

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