quarta-feira, 27 de abril de 2016

CECÊ, CHULÉ E PEIDO.

     Finalmente, decidiu correr no parque. Comprou tênis, calção, camiseta...;  sim, el@ não tinha nada disso, nunca tivera um tênis, apesar dos 52 anos de idade. 500 metros de caminhada forte e a camiseta estava molhada de suor. Pela primeira vez na vida sentira gotas de suor escorrendo em seu rosto. Viu outr@ caminhante gord@ enxugando o rosto com uma toalhinha que levava na cintura e anotou mentalmente para também providenciar uma, na próxima caminhada.

     O suor realmente incomodava, caminhou somente 20 dos 30 minutos programados e parou na barraca da água-de-coco. Sentou numa sombra, conversou com a dona da barraca, o suor secou. Caminhou lentamente até o estacionamento,  entrou no carro,  ligou o ar-condicionado. Ao chegar em casa, cheirou as próprias axilas antes de tirar a camiseta e constatou, horrorizad@, que estava com cecê. Jogou a camiseta no balaio de roupas de lavar e sentou pra tirar o tênis. Viu que a meia estava porca e molhada e o tênis estava sujo de terra. Escandalizad@, cheirou que estava com chulé.

     Tomou banho imediatamente e utilizou todos os recursos químicos que possuía – que não eram poucos – para recompor seu... seu... cheiro! Tudo bem que o cheiro não era del@, era da Natura... mas, enfim, seu corpo recobrara, afinal, o cheiro da Natura. Ou seja, el@ ficou com um cheiro de corpo cheiroso. Que alguns podem não gostar... e eis o cecê! Dia desses um moço entrou no elevador com cecê: cheirava um fino perfume adocicado que incomodou apenas meu espírito malévolo...

     Não voltou às corridas. Embora por pouco tempo, era demais para sua sensibilidade aquele cecê de suor seco e aquele chulé que empestiava a casa. E não ficava bem para alguém já acima dos cinquenta e tão bem-posto na vida subir no elevador naquele estado. Se tivesse persistido alguns meses, teria descoberto outra coisa desagradável em quem se mete a movimentar o corpo adoidado por aí: peidar muito.


     “Peidar” não se escreve, diria minha tia limpinha e cheirosa. Eu não só escrevo, como peido. Quem gasta muita energia corporal precisa comer bastante carbohidrato de qualidade, ricos em fibras: arroz e farinhas integrais, feijões, frutas, folhas, etc e aí peida um pouquinho mais que alguém que fica a maior parte do dia sentad@ e come pouco e refinado. Ou seja, eu peido, tu peidas, el@ peida. Todos que comem peidam. E todo corpo de gente cheira. E o mundo se divide em quem quase não percebe e quem se escandaliza com o cecê d@ vizinh@.

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