quarta-feira, 17 de abril de 2019

PRETÉRITOS & GERÚNDIOS.

Tem dia que a gente acorda impertinente. É Bife a cavalo ou Bife à cavalo? Nem um nem outro, é Bife ao cavalo. Putz, alguém ainda come bife ao cavalo? Como aparece atualmente nos cardápios o tradicional bife ao cavalo? Bife com eggs? Para mim, bife com ovo é redundância; é Bife ou Ovo.
É Filé a moda ou Filé à moda? Nem este nem aquele, é Filé ao modo. O jeito, o modo de cada casa fazer o filé.
Agora sobre tradução. Uma palavra que já passou da hora de ser traduzida do português-português para o português-brasileiro é Pretérito. A gente traduz e atualiza e acrescenta e até inventa tanta coisa na travessia do idioma pelo Atlântico e o Pretérito continua presente.
Aquela situação em que as pessoas esperam uma atrás da outra, por ordem de chegada: em Portugal é bicha, no Brasil é fila; menino lá é puto; rapariga aqui é puta; trem é comboio, asfalto é alcatrão, suco é sumo, celular é telemóvel, bunda lá é cu (resta saber como traduzem o cu brasileiro).
Tudo isso e muito mais e o Pretérito persiste, atual, lá e cá. Por que não traduzimos Pretérito? (se é que lá ainda usam esse trambolho para se referirem ao passado).
Traduzir Pretérito adquire importância e urgência quando vamos dissertar (já o verbo Dissertar deve ser sumariamente suprimido), ia dizendo, quando vamos dissertar sobre teoria verbal. Eu não aguento mais falar ou escrever Pretérito perfeito.
É óbvio que é perfeita a forma Passei, do verbo Passar: passou, foi embora, desapareceu. Entretanto, Passara é Mais que Perfeito. Eu acho que essa coisa melhor que a perfeita é suspeita, quero dizer, inexistente.
Enfim, eu não suporto o Pretérito mais que perfeito; abaixo o Pretérito mais que perfeito! Passara é o passado de Passei; Passara é o passado do passado. Simples.
Futuro do pretérito também é intragável; até a tradução, Futuro do passado, não vai bem, mas não me ocorre forma substituta.
Outra coisa que me enfeza (o verbo enfezar é legal) é essa mania de vilipendiar o gerúndio. Claro que não vou estar defendendo este gerúndio, mas esse isolado, que economiza o artigo. Os portugueses que fiquem lá, a catar coquinhos; nós ficamos cá, vivendo e votando e levando. E aprendendo. E parodiando Millôr: escrever é só pensar.


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