Tem
dia que a gente acorda impertinente. É Bife a cavalo ou Bife à
cavalo? Nem um nem outro, é Bife ao cavalo. Putz, alguém ainda come
bife ao cavalo? Como aparece atualmente nos cardápios o tradicional
bife ao cavalo? Bife com eggs? Para mim, bife com ovo é redundância;
é Bife ou Ovo.
É
Filé a moda ou Filé à moda? Nem este nem aquele, é Filé ao modo.
O jeito, o modo de cada casa fazer o filé.
Agora
sobre tradução. Uma palavra que já passou da hora de ser traduzida
do português-português para o português-brasileiro é Pretérito.
A gente traduz e atualiza e acrescenta e até inventa tanta coisa na
travessia do idioma pelo Atlântico e o Pretérito continua presente.
Aquela
situação em que as pessoas esperam uma atrás da outra, por ordem
de chegada: em Portugal é bicha, no Brasil é fila; menino lá é
puto; rapariga aqui é puta; trem é comboio, asfalto é alcatrão,
suco é sumo, celular é telemóvel, bunda lá é cu (resta saber
como traduzem o cu brasileiro).
Tudo
isso e muito mais e o Pretérito persiste, atual, lá e cá. Por que
não traduzimos Pretérito? (se é que lá ainda usam esse trambolho
para se referirem ao passado).
Traduzir
Pretérito adquire importância e urgência quando vamos dissertar
(já o verbo Dissertar deve ser sumariamente suprimido), ia dizendo,
quando vamos dissertar sobre teoria verbal. Eu não aguento mais
falar ou escrever Pretérito perfeito.
É
óbvio que é perfeita a forma Passei, do verbo Passar: passou, foi
embora, desapareceu. Entretanto, Passara é Mais que Perfeito. Eu
acho que essa coisa melhor que a perfeita é suspeita, quero dizer,
inexistente.
Enfim,
eu não suporto o Pretérito mais que perfeito; abaixo o Pretérito
mais que perfeito! Passara é o passado de Passei; Passara é o
passado do passado. Simples.
Futuro
do pretérito também é intragável; até a tradução, Futuro do
passado, não vai bem, mas não me ocorre forma substituta.
Outra
coisa que me enfeza (o verbo enfezar é legal) é essa mania de
vilipendiar o gerúndio. Claro que não vou estar defendendo este
gerúndio, mas esse isolado, que economiza o artigo. Os portugueses
que fiquem lá, a catar coquinhos; nós ficamos cá, vivendo e
votando e levando. E aprendendo. E parodiando Millôr: escrever é só
pensar.
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