quinta-feira, 11 de abril de 2019

Pra não dizer que não falei de Língua


NÉRSO DA CAPITINGA. 
Nestes tempos de Sérgio Moro e seu português simplório, uma pausa para conversar sobre nossa língua.
(alguém escreveu que o modo como o SM fala algumas palavras é típico de gente de pouca leitura; nada contra gente de pouca leitura nem gente que não fala o português culto; mas tudo contra um juiz concursado/mestre-doutor em dois anos/professor/ministro, de pouca leitura)
Quem se lembra do Nérso da Capetinga? Sim, Capetinga existe, é um município do sul de Minas, de 7 mil habitantes, a apenas 5 Km da divisa com o Estado de S.Paulo, 40 Km a leste de Franca, SP.
Nunca estive na cidade, o mais próximo que passei foi 18 Km a leste, na cidade de Cássia, terra onde nasceu o Beato(futuro santo, antigo padre) Donizetti, do qual escrevi recentemente. Nesse dia, almocei em Ibiraci, 20 Km a noroeste, grande produtora de café.
Me lembro de que escrevi, então, que em Ibiraci, todo mundo é Nérso. É que, na região, todo mundo tem o sotaque e o vocabulário do Nérso da Capitinga.
Dizem que o comediante é baiano, mas deve ter copiado o sotaque dessa região. Mais estranho é ver as mulheres falando daquele jeito(tenho o preconceito de que mulher deve falar melhor, mais bonito, que homem).
É uma mistura de português arcaico com economia fonética, como a troca do “b” pelo “v”(assobio/assovio; bassoura/vassoura; brabo/bravo), do “r” pelo “l” e vice-versa, como pomal para pomar e laranjar para laranjal; é uma tendência a abreviar as proparoxítonas, como corgo para córrego, arve para árvore, bebo para bêbado, setmo para sétimo, sabdo para sábado; é a mais deslavada economia, como cê para você e a eliminação dos plurais(marcação apenas no artigo/pronome, como “as manga”, “eles trabalha”.
E é a revolução linguística da simplificação verbal: por ex., o verbo comer, no presente do indicativo, tem apenas uma forma: “come”. A gente come (para eu como), você come, ele come, a gente come(ou nóis come), vocês come, eles come(economia da desinência “s” do plural). O verbo fazer: a gente faiz, você(tu) faiz, ele faiz, a gente(nóis) faiz, vocês(vóis) faiz, eles faiz(nem sempre se economiza, às vezes se esbanja, como esse faiz no lugar de faz).
E na linguagem culta desse povo, só se usa a terceira pessoa: “a gente” é pronome da 1ª pessoa, tanto do singular, quanto do plural, e se conjuga com o verbo na 3ª pessoa do singular; e “você(s)” é pronome da 2ª pessoa, que também se conjuga com o verbo na 3ª pessoa. Pensando bem, acho que o Nérso colheu café em Ibiraci. E o Sérgio Moro, no concurso para Juiz, assim como no mestrado/doutorado (tudo em apenas 2 anos) fez alguma...simplificação!


Nenhum comentário:

Postar um comentário