NÉRSO
DA CAPITINGA.
Nestes
tempos de Sérgio Moro e seu português simplório, uma pausa para
conversar sobre nossa língua.
(alguém
escreveu que o modo como o SM fala algumas palavras é típico de
gente de pouca leitura; nada contra gente de pouca leitura nem gente
que não fala o português culto; mas tudo contra um juiz
concursado/mestre-doutor em dois anos/professor/ministro, de pouca
leitura)
Quem
se lembra do Nérso da Capetinga? Sim, Capetinga existe, é um
município do sul de Minas, de 7 mil habitantes, a apenas 5 Km da
divisa com o Estado de S.Paulo, 40 Km a leste de Franca, SP.
Nunca
estive na cidade, o mais próximo que passei foi 18 Km a leste, na
cidade de Cássia, terra onde nasceu o Beato(futuro santo, antigo
padre) Donizetti, do qual escrevi recentemente. Nesse dia, almocei em
Ibiraci, 20 Km a noroeste, grande produtora de café.
Me
lembro de que escrevi, então, que em Ibiraci, todo mundo é Nérso.
É
que, na
região, todo mundo tem o sotaque e o vocabulário do Nérso da
Capitinga.
Dizem
que o comediante é baiano, mas deve ter copiado o sotaque dessa
região. Mais estranho é ver as mulheres falando daquele jeito(tenho
o preconceito de que mulher deve falar melhor, mais bonito, que
homem).
É
uma mistura de português arcaico com economia fonética, como a
troca do “b” pelo “v”(assobio/assovio; bassoura/vassoura;
brabo/bravo), do “r” pelo “l” e vice-versa, como pomal para
pomar e laranjar para laranjal; é uma tendência a abreviar as
proparoxítonas, como corgo para córrego, arve para árvore, bebo
para bêbado, setmo para sétimo, sabdo para sábado; é a mais
deslavada economia, como cê para você e a eliminação dos
plurais(marcação
apenas no artigo/pronome, como “as manga”, “eles trabalha”.
E
é a revolução linguística da simplificação verbal: por ex., o
verbo comer, no presente do indicativo, tem apenas uma forma: “come”.
A gente come (para eu como), você
come, ele come, a
gente come(ou
nóis come),
vocês
come, eles come(economia
da desinência “s” do plural).
O verbo fazer: a gente faiz, você(tu)
faiz, ele faiz, a
gente(nóis)
faiz, vocês(vóis)
faiz, eles faiz(nem
sempre se economiza, às vezes se esbanja, como esse faiz no lugar de
faz).
E
na linguagem culta desse povo, só se usa a terceira pessoa: “a
gente” é pronome da 1ª pessoa, tanto do singular, quanto do
plural, e se conjuga com o verbo na 3ª pessoa do singular; e
“você(s)” é pronome da 2ª pessoa, que também se conjuga com o
verbo na 3ª pessoa. Pensando bem, acho que o Nérso colheu café em
Ibiraci. E
o Sérgio Moro, no concurso para Juiz, assim como no
mestrado/doutorado (tudo em apenas 2 anos) fez
alguma...simplificação!
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