Entro
no metrô da linha amarela, tomo um susto com o amarelo-skol. A linha
amarela não se cansa de me cansar. Primeiro, que os vidros estão
amarelos. Isso significa que não estão transparentes. Tudo bem que
o trem corre dentro de um túnel, a transparência do vidro não
faria diferença, mas faz. Vidro amarelo, teto amarelo, paredes
amarelas, piso amarelo. Amarelo-skol.
Uma
coisa é certa: enquanto me lembrar desse vagão amarelo-skol, não
tomarei skol. Não será grande sacrifício, pois não me confinarei
em nenhum bloco do carnaval paulistano. É que a Skol é a
patrocinadora do carnaval paulistano. Cerveja, lá, só da skol. De
repente, a Skol também é da Ambev, a mesma da Antarctica, da
Brahma, do escambau… esse negócio de boicotar produtos
massificados em mercado oligopolizado é enxugar gelo.
Mas
um serviço público pode submeter seu usuário a um ambiente
confinado e monocromático-totalitário em prol de uma campanha
publicitária de um produto comercial? Sendo que esse comércio é de
bebida alcoólica? Evidente que não vale o argumento de que a linha
amarela é privada. Não, a linha amarela não é privada, mas
parece… a linha amarela é pública, gerida por uma privada.
Eu
me sinto mal dentro do vagão amarelo-skol. Do bombardeio luminoso de
comerciais que os vagões recebem entre as estações Fradique
Coutinho e Oscar Freire, podemos escapar, é só olhar para o outro
lado. Mas, para escapar do amarelo-skol, só fechando os olhos, e
isso não é possível, eis que no metrô temos de andar com os olhos
bem abertos.
E
para arrematar a sandice que assola os dias, vi hoje um
cadeirante-entregador da iFood. Nem bicicleta, nem motocicleta,
cadeira de rodas. Sei lá, não sei o que dizer.
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