sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

AMARELO-SKOL.

Entro no metrô da linha amarela, tomo um susto com o amarelo-skol. A linha amarela não se cansa de me cansar. Primeiro, que os vidros estão amarelos. Isso significa que não estão transparentes. Tudo bem que o trem corre dentro de um túnel, a transparência do vidro não faria diferença, mas faz. Vidro amarelo, teto amarelo, paredes amarelas, piso amarelo. Amarelo-skol.
Uma coisa é certa: enquanto me lembrar desse vagão amarelo-skol, não tomarei skol. Não será grande sacrifício, pois não me confinarei em nenhum bloco do carnaval paulistano. É que a Skol é a patrocinadora do carnaval paulistano. Cerveja, lá, só da skol. De repente, a Skol também é da Ambev, a mesma da Antarctica, da Brahma, do escambau… esse negócio de boicotar produtos massificados em mercado oligopolizado é enxugar gelo.
Mas um serviço público pode submeter seu usuário a um ambiente confinado e monocromático-totalitário em prol de uma campanha publicitária de um produto comercial? Sendo que esse comércio é de bebida alcoólica? Evidente que não vale o argumento de que a linha amarela é privada. Não, a linha amarela não é privada, mas parece… a linha amarela é pública, gerida por uma privada.
Eu me sinto mal dentro do vagão amarelo-skol. Do bombardeio luminoso de comerciais que os vagões recebem entre as estações Fradique Coutinho e Oscar Freire, podemos escapar, é só olhar para o outro lado. Mas, para escapar do amarelo-skol, só fechando os olhos, e isso não é possível, eis que no metrô temos de andar com os olhos bem abertos.
E para arrematar a sandice que assola os dias, vi hoje um cadeirante-entregador da iFood. Nem bicicleta, nem motocicleta, cadeira de rodas. Sei lá, não sei o que dizer.


Nenhum comentário:

Postar um comentário