domingo, 16 de fevereiro de 2020

AMARELOU GERAL, NO CARNAVAL

  Quem tem participado dos blocos do carnaval paulistano sabe do que tô falando. Antes, quero ressalvar que vejo com simpatia esse fenômeno recente dos blocos carnavalescos paulistanos. Mas… mas, a coisa já começa a ficar monetizada. Tudo cercado, controle rigoroso para entrar. Tá bem, a segurança… vai vendo. Daqui a pouco cobram entrada. Não, já estão cobrando. Como assim? Quer ver?
Você não pode entrar com água, água de beber. Você veste sua roupa mais leve, coloca um laço de fita no cabelo e já está fantasiado. Ótimo! Vai de tênis, melhor ainda. A função é durante o dia, debaixo do sol mais quente. Agora, com o advento do patrocínio cervejeiro, começo a desconfiar de que esse horário é intencional…
Sim, você adentra ao curral, ops, ao cercado, ops, à área protegida… que bom que nossas autoridades se preocupem tanto com nossa segurança… não entra nem mosquito carregando uma garrafinha de água pra matar a sede naquelas 4 ou 5 horas de muito samba e muito sol.
Quer dizer, eu não entrei lá, só fiquei jogando bola ao lado, durante 1,5 horas, numa movimentação equivalente ao tropel da garotada, e tomei 1 litro d'água, que levei de casa. Pude entrar com a água, porque, felizmente, onde brinquei não havia cercado para minha proteção… (sim, é uma crônica com alto teor irônico)
Claro que lá dentro do curral, ops, do cercado, ops, da área protegida, vendem água. Mas, se o preço da água é quase igual ao da latinha de skol, melhor tomar só skol, para gastar um pouco menos. Porque a garotada precisa colocar alguns miligramas de álcool na cuca para melhor jogarem… e isso custa, só com skol.
Aí, a cerveja, ao invés de hidratar, desidrata. E muita gente passa mal. Mas, pensando bem, do jeito que aquela cerveja é uma porcaria, com sua mísera gradação alcoólica, talvez até cumpra a função da água… O pior é que se ela cumpre a função da água, não cumpre a da cerveja, ô tristeza! E, ao final da brincadeira, o folião pagou ou não pagou para entrar?
Então, na segunda feira, na ressaca do lar, contabilizando o gasto com cerveja e o mal-estar dos efeitos da desidratação, o cidadão-carnavalesco se revolta e diz que nunca mais toma skol. A partir de agora só vai tomar Budweiser ou Bohemia ou Quilmes, Serramalte, Brahma, Antarctica, Serrana Stella Artois Nossa Pernambuco Nortena Lowenbrau Polar Patagônia Três Fidalgas Wals Magnífica do Maranhão Original Goose Island Legítima Leffe Hertog Fan Hoegaarden Caracu Colorado Corona Franziskaner Beck's Adriática. Coitado do inocente…


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