Moro
é mais bronco que Bolsonaro. Aliás, nesse quesito, é um páreo
duro. Sobre o ato fundamental de falar: o ato físico: a voz, suas
características e modos de produção. B. tem a língua presa, mas
Lula também tem; então, como é notório que L. é um exímio
produtor de voz, não vamos considerar isso como ponto fraco em B.
Mas B. entorta a boca e desarticula os dentes de uma maneira muito
canina demais na hora da fala, o que faz com que seja um emissor
abundante de saliva. B. deveria usar máscara ainda que não houvesse
pandemia, ainda mais na hora de falar.
Já
M. encolhe as bochechas quando fala, em desobediência às leis da
Física; isso faz com que seus lábios se alonguem para frente e se
afinem, como se chupasse um saquinho de plástico (desses de
raspadinhas), como fazem os desdentados, como se fosse um chipanzé.
Se B. cospe no interlocutor, M., ao contrário, fala a seco, eis que
sua saliva não consegue ultrapassar a vasta planície dos beiços
achatados, algo análogo, apenas em longitude, aos longos bicos dos
tucanos. Essa secura das partes, em M., produz agudas ondulações na
voz, fazendo com que o natural tom fanhoso se afine, às vezes,
parecendo aquelas sirenes em dois tons dos bombeiros, só que com
pouco volume, por causa do pouco ar acumulado na cavidade encolhida.
Quanto
às partes próximas às bocas, finas e tensas em ambos, temos
narizes italianos passáveis, mas, em ambos, os olhos são mais
próximos um do outro do que o normal. Mais uma vez lembram
chipanzés; mas em M., esse detalhe é mais acentuado, como se aquela
parte, acima dos olhos e além, para trás, tivesse tido algum
problema de desenvolvimento, levando seu portador a uma certa
deficiência intelectual.
Em
ambos, M. e B., papadas, especialmente quando encaram de baixo para
cima o interlocutor, falando fino e baixo, enquanto preparam ou
aguardam algum bote. Nesse quesito, M. perde também, por ser mais
novo. Como sabemos, papada é coisa de velho.
À
prosódia. Começa que ambos são caipiras. Não que o sotaque
caipira seja feio ou inferior, mas acentua as caipirices faladas.
Conheço, sou do ramo, posso falar: caipira é adjetivo bitransitivo
— que me perdoem os gramáticos —, pode ser do bem, pode ser do
mal. Quando um caipira dana a ser grosso, é água morro abaixo, fogo
morro acima… Aqui, outra derrota de M. É que M. saiu lá da
terrinha faz pouco tempo, tanto que é conhecido como o marreco de
Maringá. Aliás, o bico do marreco é uma comparação mais feliz do
que o do tucano, pois reproduz em cartilagem o que em M. se alonga em
carnes flácidas.
Ao
vocabulário. Aos pronomes. Tanto M. como B. têm dificuldades com o
mim e o eu, com o gênero da(o) couve, com certas proparoxítonas,
com o verbo fazer no sentido de tempo transcorrido e o haver, no
sentido de existir, mas isso, eu e você e o Leonardo Boff também
temos, filhos de pais semianalfabetos que somos. Novisforemos isso,
portanto. M. é jurista e fala conje (e creio que tenha evoluído de
cônjugue…). Ora, cônjuge é termo jurídico e, ainda que B. fale
escrotizar em rede nacional, também não consegue perder para M. em
pobreza vocabular. Ressalte-se que, em favor de B., M. é doutor
(dizem), tem muito mais tempo de banco escolar.
Ao
que interessa: a Política. M. também perde, porque, enquanto B. tem
28 anos de baixo clero, M. tem 22 anos de primeira instância. E
ambos não têm partido, algo imperdoável em qualquer político.
Trágico, quando em político de alto escalão.
Às
influências imperialistas. Enquanto B. se inspira no populacho
atomizado estadunidense e é diretamente manipulado pelo indivíduo
Trump, M. sonha com o modo de vida dos altos funcionários públicos
ou com os gerentes das multinacionais do mais poderoso país do
norte-américa, sonha com um apartamento em Miami, admira os Clinton
e, para não perder tempo, é treinado e monitorado e manipulado por
certas instituições lá deles. É polêmico, alguns vão discordar,
mas é nesse quesito que M. ganha de goleada para ver quem é mais
entreguista.
Mas
o O., de otário, se equivoca com B., depois se equivoca com M. E
mais se equivocaria, se mais voto houvesse.
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