sábado, 25 de abril de 2020

MORO É PIOR QUE BOLSONARO.

Moro é mais bronco que Bolsonaro. Aliás, nesse quesito, é um páreo duro. Sobre o ato fundamental de falar: o ato físico: a voz, suas características e modos de produção. B. tem a língua presa, mas Lula também tem; então, como é notório que L. é um exímio produtor de voz, não vamos considerar isso como ponto fraco em B. Mas B. entorta a boca e desarticula os dentes de uma maneira muito canina demais na hora da fala, o que faz com que seja um emissor abundante de saliva. B. deveria usar máscara ainda que não houvesse pandemia, ainda mais na hora de falar.
Já M. encolhe as bochechas quando fala, em desobediência às leis da Física; isso faz com que seus lábios se alonguem para frente e se afinem, como se chupasse um saquinho de plástico (desses de raspadinhas), como fazem os desdentados, como se fosse um chipanzé. Se B. cospe no interlocutor, M., ao contrário, fala a seco, eis que sua saliva não consegue ultrapassar a vasta planície dos beiços achatados, algo análogo, apenas em longitude, aos longos bicos dos tucanos. Essa secura das partes, em M., produz agudas ondulações na voz, fazendo com que o natural tom fanhoso se afine, às vezes, parecendo aquelas sirenes em dois tons dos bombeiros, só que com pouco volume, por causa do pouco ar acumulado na cavidade encolhida.
Quanto às partes próximas às bocas, finas e tensas em ambos, temos narizes italianos passáveis, mas, em ambos, os olhos são mais próximos um do outro do que o normal. Mais uma vez lembram chipanzés; mas em M., esse detalhe é mais acentuado, como se aquela parte, acima dos olhos e além, para trás, tivesse tido algum problema de desenvolvimento, levando seu portador a uma certa deficiência intelectual.
Em ambos, M. e B., papadas, especialmente quando encaram de baixo para cima o interlocutor, falando fino e baixo, enquanto preparam ou aguardam algum bote. Nesse quesito, M. perde também, por ser mais novo. Como sabemos, papada é coisa de velho.
À prosódia. Começa que ambos são caipiras. Não que o sotaque caipira seja feio ou inferior, mas acentua as caipirices faladas. Conheço, sou do ramo, posso falar: caipira é adjetivo bitransitivo — que me perdoem os gramáticos —, pode ser do bem, pode ser do mal. Quando um caipira dana a ser grosso, é água morro abaixo, fogo morro acima… Aqui, outra derrota de M. É que M. saiu lá da terrinha faz pouco tempo, tanto que é conhecido como o marreco de Maringá. Aliás, o bico do marreco é uma comparação mais feliz do que o do tucano, pois reproduz em cartilagem o que em M. se alonga em carnes flácidas.
Ao vocabulário. Aos pronomes. Tanto M. como B. têm dificuldades com o mim e o eu, com o gênero da(o) couve, com certas proparoxítonas, com o verbo fazer no sentido de tempo transcorrido e o haver, no sentido de existir, mas isso, eu e você e o Leonardo Boff também temos, filhos de pais semianalfabetos que somos. Novisforemos isso, portanto. M. é jurista e fala conje (e creio que tenha evoluído de cônjugue…). Ora, cônjuge é termo jurídico e, ainda que B. fale escrotizar em rede nacional, também não consegue perder para M. em pobreza vocabular. Ressalte-se que, em favor de B., M. é doutor (dizem), tem muito mais tempo de banco escolar.
Ao que interessa: a Política. M. também perde, porque, enquanto B. tem 28 anos de baixo clero, M. tem 22 anos de primeira instância. E ambos não têm partido, algo imperdoável em qualquer político. Trágico, quando em político de alto escalão.
Às influências imperialistas. Enquanto B. se inspira no populacho atomizado estadunidense e é diretamente manipulado pelo indivíduo Trump, M. sonha com o modo de vida dos altos funcionários públicos ou com os gerentes das multinacionais do mais poderoso país do norte-américa, sonha com um apartamento em Miami, admira os Clinton e, para não perder tempo, é treinado e monitorado e manipulado por certas instituições lá deles. É polêmico, alguns vão discordar, mas é nesse quesito que M. ganha de goleada para ver quem é mais entreguista.
Mas o O., de otário, se equivoca com B., depois se equivoca com M. E mais se equivocaria, se mais voto houvesse.


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