Vamos
supor que alguém de 1991 entrasse numa máquina do tempo e voltasse
lá em 1891 e contasse, ao Henrique Dumont (que morreria um ano
depois, em 1892), da existência do Antonov.
Para
quem não sabe, Antonov é um avião cargueiro feito pela antiga
URSS, que voou pela primeira vez em 1988, e pode decolar com 640
toneladas de peso bruto, equivalente a 21 jamantas de 30 toneladas
cada.
Henrique
Dumont foi um fazendeiro plantador de café, morador do interiorzão
do Brasil; Henrique Dumont é o pai do Alberto, o do avião.
Claro
que o pai do inventor do avião, lá do meio do seu cafezal, diria
que era cascata, invenção, sonho.
Da
mesma forma, se alguém do futuro contasse ao Alberto, o do avião,
lá em 1920, que, em 2020, fazemos videoconferências por whatsapp,
3, 4 pessoas, cada um em uma cidade diferente, usando para tanto um
aparelho similar em peso e tamanho ao seu relógio portátil, é
muito provável que ele não acreditasse.
A
incredulidade dos Dumont se deve à diferença de um século no tempo
entre o informante e o ouvinte, alienados um do outro por 100 anos de
história.
Mas,
e se o pai do Alberto, o Henrique, viesse ao futuro dos dias atuais e
nos contasse que nenhum objeto mais pesado do que o ar pode voar por
impulso próprio?
É
possível que os muito ignorantes acreditassem; os muito isolados, os
muito desligados, os inexperientes, os alienados, os irascíveis. É
possível que acreditassem os não tão ignorantes, mas que vivessem
submersos num ambiente obscurantista, cheio de superstição e
misticismo. A boa-velha caduca se rejuvenesce e ganha credibilidade
junto a essas pessoas, ainda mais quando vem convenientemente
embalada numa nuvem de fake news, num tempo de mulheres e homens e
ideias e notícias brutas. Tempo de argumentos ligeiros e parciais,
campo fértil aos charlatães.
A
marginalização da maioria da população, através da desigualdade
de renda e oportunidades e da miséria moral e intelectual, leva o
país à tragédia, mais dia, menos dia. Isso acontece porque
marginalizar a maioria é uma contradição. Pelas leis da física,
nenhuma maioria permanece marginalizada por muito tempo. Eis nossa
obra: barbaridade!
Estamos
colhendo o que plantamos: temos um governo de Terra plana e arrasada.
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