CRÔNICA
AGUDA.
Dinhêro!
Mais uma crônica da crise aguda na miséria crônica. Economia é
coisa séria. É preciso ter dinheiro bom pra mercadoria boa. Um
dinheiro bem pesado. Difícil é ver a festa cotidiana do dinheiro
desigual cozinhando a maioria na miséria mansa. Arroz e feijão e
óleo e sal. Cebolinha é luxo. Dinheiro para o essencial. Dinheiro
bem distribuído, de acordo com a mercadoria bem distribuída. É
mentira que o véio da havan tá tranquilo. Quem tem capital tem
medo. Fulgêncio Batista está arrumando as malas. O diabo é que
Miami também caiu. Finalmente, o dinheiro descasou do mundo. O véio
da havan tem dinheiro e avião, mas não sabe pilotar. E a alfândega
está conflagrada. O estoque do véio da havan está no fim. O
estoque da loja dele é irrelevante, agora. Com a desestruturação
da economia, o véio da havan vai virar uma varig. Os véios marajás
aposentados recebem 30 mil por mês do estado, mas não têm quem
lhes lave a louça. Falta água e rodovia em suas casas na praia, as
cidadezinhas onde têm casa de campo não deixam ninguém entrar.
Dinheiro descasado. Porque dinheiro só é dinheiro quando casa com
comida. Entrou areia na máquina da Economia, não tem dinheiro que
limpe, somente mãos. Dinheiro é graxa: não adianta nada poucos
parafusos lambuzados. Os carrões na garagem não sustentam ninguém.
Economia é coisa séria, a República é coisa séria. A Casa Grande
tá sem faxineira. O lixeiro da prefeitura é essencial. O valor do
dinheiro está diante do paredão: o vírus viu a vulva. Não tem
como escapar do estado máximo.
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