quarta-feira, 25 de março de 2020

PRONUNCIAMENTO DO PRESIDENTE.

POR QUÊ?

Qual a explicação para o pronunciamento de ontem, 24/03/2020, do presidente da República?

Vale lembrar a fábula do sapo e do escorpião:
Era uma vez um sapo e um escorpião que estavam parados à margem de um rio.
— Você me carrega nas costas para eu poder atravessar o rio? — perguntou o escorpião ao sapo.
— De jeito nenhum. Você é a mais traiçoeira das criaturas. Se eu te ajudar, você me mata em vez de me agradecer.
— Mas, se eu te picar com meu veneno — respondeu o escorpião com uma voz terna e doce —, morro também. Me dê uma carona. Prometo ser bom, meu amigo sapo.
O sapo concordou.
Durante a travessia do rio, porém, o sapo sentiu a picada mortal do escorpião.
— Por que você fez isso, escorpião? Agora nós dois morreremos afogados! — disse o sapo.
E o escorpião simplesmente respondeu:
— Porque esta é a minha natureza, meu amigo sapo. E eu não posso mudá-la.”
[Heloisa Prieto. (O livro dos medos), in Recantodasletras.com.br].

Qual a lógica, cálculo ou propósito daquele pronunciamento? Porque todo político precisa pensar e falar e agir com lógica, cálculo, propósito.
(acho que é por isso que o povão tanto odeia os políticos).

Porque todo político que se preza, desde o mais simples vereador, pensa duas vezes antes de falar. No caso de um cargo político da importância do presidente da república, ele nem pode se dar ao luxo de falar por si. Precisa ouvir sua assessoria, seu partido, os técnicos.

Tudo indicava que nosso atual presidente da república ia, finalmente, se irmanar ao conjunto do país nas medidas de combate ao vírus. Mas era apenas a promessa do escorpião ao sapo. No meio do rio, lá pelas 8 e meia da noite, em rede nacional, o presidente picou o povo.

Deu um tiro no pé? Por que ele deu um tiro no próprio pé?

Ainda que estivesse sinceramente convencido de que devia mudar drasticamente o rumo que o país vinha tomando no combate ao vírus, não poderia fazê-lo daquela forma brusca e inesperada, como se fora uma canoinha batendo de frente contra o transatlântico de toda a mídia e governadores e prefeitos e parlamentares e população.

Deveria agir com cálculo, lógica, estratégia. Como, aliás — penso — fora aconselhado ainda de manhã pelos militares. Mas não aguentou esperar até chegar à outra margem do rio. É da natureza dele.






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