POR
QUÊ?
Qual
a explicação para o pronunciamento de ontem, 24/03/2020, do
presidente da República?
Vale
lembrar a fábula do sapo e do escorpião:
“Era
uma vez um sapo e um escorpião que estavam parados à margem de um
rio.
— Você me carrega nas costas para eu poder atravessar o rio? — perguntou o escorpião ao sapo.
— De jeito nenhum. Você é a mais traiçoeira das criaturas. Se eu te ajudar, você me mata em vez de me agradecer.
— Mas, se eu te picar com meu veneno — respondeu o escorpião com uma voz terna e doce —, morro também. Me dê uma carona. Prometo ser bom, meu amigo sapo.
O sapo concordou.
Durante a travessia do rio, porém, o sapo sentiu a picada mortal do escorpião.
— Por que você fez isso, escorpião? Agora nós dois morreremos afogados! — disse o sapo.
E o escorpião simplesmente respondeu:
— Porque esta é a minha natureza, meu amigo sapo. E eu não posso mudá-la.”
— Você me carrega nas costas para eu poder atravessar o rio? — perguntou o escorpião ao sapo.
— De jeito nenhum. Você é a mais traiçoeira das criaturas. Se eu te ajudar, você me mata em vez de me agradecer.
— Mas, se eu te picar com meu veneno — respondeu o escorpião com uma voz terna e doce —, morro também. Me dê uma carona. Prometo ser bom, meu amigo sapo.
O sapo concordou.
Durante a travessia do rio, porém, o sapo sentiu a picada mortal do escorpião.
— Por que você fez isso, escorpião? Agora nós dois morreremos afogados! — disse o sapo.
E o escorpião simplesmente respondeu:
— Porque esta é a minha natureza, meu amigo sapo. E eu não posso mudá-la.”
[Heloisa Prieto. (O
livro dos medos), in Recantodasletras.com.br].
Qual
a lógica, cálculo ou propósito daquele pronunciamento? Porque todo
político precisa pensar e falar e agir com lógica, cálculo,
propósito.
(acho
que é por isso que o povão tanto odeia os políticos).
Porque
todo político que se preza, desde o mais simples vereador, pensa
duas vezes antes de falar. No caso de um cargo político da
importância do presidente da república, ele nem pode se dar ao luxo
de falar por si. Precisa ouvir sua assessoria, seu partido, os
técnicos.
Tudo
indicava que nosso atual presidente da república ia, finalmente, se
irmanar ao conjunto do país nas medidas de combate ao vírus. Mas
era apenas a promessa do escorpião ao sapo. No meio do rio, lá
pelas 8 e meia da noite, em rede nacional, o presidente picou o povo.
Deu
um tiro no pé? Por que ele deu um tiro no próprio pé?
Ainda
que estivesse sinceramente convencido de que devia mudar
drasticamente o rumo que o país vinha tomando no combate ao vírus,
não poderia fazê-lo daquela forma brusca e inesperada, como se fora
uma canoinha batendo de frente contra o transatlântico de toda a
mídia e governadores e prefeitos e parlamentares e população.
Deveria
agir com cálculo, lógica, estratégia. Como, aliás — penso —
fora aconselhado ainda de manhã pelos militares. Mas não aguentou
esperar até chegar à outra margem do rio. É da natureza dele.
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