EL
AMOR EN LOS TIEMPOS DEL CÓLERA.
(LIVROS
DE PESTE)
Tava
pensando que essa coisa de ficar em casa é boa pra ler adoidado. Vou
indicar três livros cabradapeste para ler, livros supimpas e
apropriados. Não, El amor em los tiempos del cólera, do colombiano
Gabriel García Márquez, não é um deles não, mas também pode ser
lido, sem contraindicação. Sugiro ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA,
DECAMERÃO e OS NOIVOS:
ENSAIO
SOBRE A CEGUEIRA, romance do português José Saramago, lançado em
1995. A edição da Companhia das Letras, de 2007, tem 310 páginas.
Uma peste se abate sobre os habitantes de uma grande cidade e todo
mundo fica cego. Saramago narra a vida, o cotidiano, como dormem,
comem, brigam, morrem… Fernando Meirelles transformou o romance em
filme. Depois desse livro, ficou difícil ao Nobel ignorar a Língua
Portuguesa e, em 1998, acabou se rendendo a ela, concedendo o prêmio
ao escritor português.
DECAMERÃO
(Il Decameron): livro do italiano (toscano) Giovanni Boccaccio,
escrito entre 1348 e 1353. A peste atacava a Europa e em 1348 chegou
a Florença. Dez jovens (7 moças e 3 rapazes) se refugiam numa
chácara longe da cidade para evitar o contágio. Para passar o
tempo, contam estórias: curtas novelas, à moda dos nossos causos
caipiras, sempre no modo direto e realista. São cem novelas,
narradas no dialeto florentino (na época, os livros eram
normalmente escritos em Latim, que só os cultos dominavam —
pouquíssimos —; o povão falava línguas regionais — dialetos.
Dante Alighieri, cerca de 50 anos antes, começara esse mau costume
de falar a língua do povo, em A DIVINA COMÉDIA; pouco depois, um
tal Petrarca reincidiu, com IL CANZONIERE, poemas em língua vulgar
(também florentino); em seguida, esse Boccaccio, com o Decamerão.
Por causa desses três foi que, meio milênio depois — séc XIX —,
surgiu a Língua Italiana, baseada no dialeto deles, em boa parte
graças à contribuição do Alessandro Manzoni, autor do terceiro
livro abaixo indicado). Pier Paolo Pasolini aproveitou algumas dessas
100 novelas e filmou seu famoso Decamerão.
OS
NOIVOS (I Promessi Sposi), do italiano Alessandro Manzoni, veio à
luz entre 1840 e 1842, em Milão, em sua versão definitiva (versão
anterior, com o título Fermo e Lucia, havia sido publicada em 1827).
Trata-se de um romance que mistura história e ficção e narra as
peripécias de um casal (os noivos) que vive perto do Lago de Como,
norte da Lombardia, entre 1628 e 1630, quando uma peste se abate
sobre Milão. Nesse romance aparece a personagem L'innominato (o sem
nome), muito interessante e adequado a alguns poderosos atuais. Já
foi transformado em ópera, filme, série televisiva e é, dizem, o
livro mais lido em língua italiana.
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