Norma Culta. Um saco! Mas...
Numa rua aqui perto de casa, da calçada, pela porta de
vidro fechada, vi um aviso assim: BATE E AGUARDE. Onde está o erro? Erro!? Bem,
se eu entendi, o cartaz se fez entender. Então não tem erro. Tá certo, não tem
erro, mas tem arranhão.
Podemos comparar a língua à música. Por exemplo, um grande
pianista deve sentir calafrios quando ouve a execução de conhecida música por
um pianista iniciante. Quem decorou a partitura sabe identificar de ouvido a
nota atravessada.
É o caso desse Bate e Aguarde. Vejamos: Trata-se de um
pedido ou uma ordem. Caso tu queiras entrar, deves bater e aguardar. Logo, o
certo é BATE E AGUARDA. Porém, caso você queira entrar, deve escrever assim no
cartaz: BATA E AGUARDE.
É que quando você quer pedir ou mandar, deve usar o
Imperativo. Sim, mas então por que pode ser Bate e Aguarda ou Bata e Aguarde?
Ora, porque sendo vós uma pessoa muito formal e cuidadosa,
gostais certamente da respeitosa e formal segunda pessoa. Bate e Aguarda,
segunda pessoa do imperativo.
Ou, sendo você uma pessoa mais informal e menos fresca, gosta
das coisas e das palavras mais “na lata”: Bata e Aguarde, terceira pessoa do
imperativo.
Mas se alguém manda, pede ou avisa, no mesmo cartaz, que eu
Bata e Aguarda, (ou bate e aguarde) aí sofro uma pontada no ouvido. Porque um
está na terceira e outro está na segunda pessoa.
(sim, se quiserdes serdes excessivamente fresco, podeis
usardes a segunda pessoa do plural para vos dirigir a apenas uma singular
pessoa).
Ôtra coisa que dói no ouvido é o desnecessário ou o
redundante ou o excessivo: o pleonasmo. Por exemplo: NESTE MOMENTO ATUAL. No
momento atual, digo-lhes que esse NESTE está sobrando. Ou digo “neste momento”
ou digo “no momento atual”.
Na mesma ladainha, vai o NEM TAMPOUCO. Ora, se “nem” é
sinônimo de “tampouco”, por que diabos devo dizer Nem tampouco? Ou um ou outro!
Ôtra coisa que arranha é a vírgula separando o sujeito do
verbo: Por exemplo: Jorge, pensou um pouco, e falou. Oxente! Não é porque Jorge
estava pensativo, parado, que devo tascar uma vírgula antes do “pensou”.
Meus deus que estais no céu, quanta falta do quê fazerdes!
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