quarta-feira, 13 de abril de 2022

BATE E AGUARDE!?

 Norma Culta. Um saco! Mas...

Numa rua aqui perto de casa, da calçada, pela porta de vidro fechada, vi um aviso assim: BATE E AGUARDE. Onde está o erro? Erro!? Bem, se eu entendi, o cartaz se fez entender. Então não tem erro. Tá certo, não tem erro, mas tem arranhão.

Podemos comparar a língua à música. Por exemplo, um grande pianista deve sentir calafrios quando ouve a execução de conhecida música por um pianista iniciante. Quem decorou a partitura sabe identificar de ouvido a nota atravessada.

É o caso desse Bate e Aguarde. Vejamos: Trata-se de um pedido ou uma ordem. Caso tu queiras entrar, deves bater e aguardar. Logo, o certo é BATE E AGUARDA. Porém, caso você queira entrar, deve escrever assim no cartaz: BATA E AGUARDE.

É que quando você quer pedir ou mandar, deve usar o Imperativo. Sim, mas então por que pode ser Bate e Aguarda ou Bata e Aguarde?

Ora, porque sendo vós uma pessoa muito formal e cuidadosa, gostais certamente da respeitosa e formal segunda pessoa. Bate e Aguarda, segunda pessoa do imperativo.

Ou, sendo você uma pessoa mais informal e menos fresca, gosta das coisas e das palavras mais “na lata”: Bata e Aguarde, terceira pessoa do imperativo.

Mas se alguém manda, pede ou avisa, no mesmo cartaz, que eu Bata e Aguarda, (ou bate e aguarde) aí sofro uma pontada no ouvido. Porque um está na terceira e outro está na segunda pessoa.

(sim, se quiserdes serdes excessivamente fresco, podeis usardes a segunda pessoa do plural para vos dirigir a apenas uma singular pessoa).

Ôtra coisa que dói no ouvido é o desnecessário ou o redundante ou o excessivo: o pleonasmo. Por exemplo: NESTE MOMENTO ATUAL. No momento atual, digo-lhes que esse NESTE está sobrando. Ou digo “neste momento” ou digo “no momento atual”.

Na mesma ladainha, vai o NEM TAMPOUCO. Ora, se “nem” é sinônimo de “tampouco”, por que diabos devo dizer Nem tampouco? Ou um ou outro!

Ôtra coisa que arranha é a vírgula separando o sujeito do verbo: Por exemplo: Jorge, pensou um pouco, e falou. Oxente! Não é porque Jorge estava pensativo, parado, que devo tascar uma vírgula antes do “pensou”.

Meus deus que estais no céu, quanta falta do quê fazerdes!

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