segunda-feira, 4 de julho de 2022

MINHA TERRA TEM PARQUE AQUÁTICO

MINHA TERRA TEM PARQUE AQUÁTICO... e macaúbas e gairovas. Vai lendo. Está no jornal de hoje que Andradina terá o maior parque aquático do mundo. Por enquanto, o maior parque aquático do mundo fica a uns 200 Km dali, em Olímpia, no mesmo meu noroeste paulista. Sim, nasci naquele pedaço e lá vivi até os 18 anos.

Nunca pensei que aquelas amenas colinas pudessem se transformar em covis de descontraídos e acalorados turistas rápidos de banhos públicos. Pensava que a vocação inexorável daquelas férteis e amigáveis terras era a produção de café, de laranja, de cana, de gado... mas eis que meus conterrâneos se transformam em hospedeiros e exploradores de turistas!

Quem diria, aqueles capiaus!

Mas um observador arguto já saberia da vocação espetaculosa daquela pacata gente. Olímpia já teve um Rei do Café; Andradina já teve um Rei do Gado. Mas não deixa de ser inusitado (e talvez irônico) que aquela gente, que nunca viu o mar, proporcione um turismo de águas, transforme suas praças num megalomaníaco banheiro coletivo.

Evidente que nesses parques aquáticos tem praias!

Isso me lembra um livro do escritor italiano Francesco Piccolo, L’Italia spensierata (A Itália despreocupada), de 2007. Ele descreve algumas situações em que os italianos demonstram sua alienação e mediocridade: a moda de desperdiçar uma tarde inteira como figurante na gravação de um programa de auditório, de acotovelar-se nos postos de beira de estrada durante o êxodo de férias, de ficar horas nas filas dos brinquedos do Play Center lá deles e gastar um salário inteiro com os filhos em guloseimas e pequenas bobagens, de enfrentar o tropel da multidão para ver o “cinepanettone” natalício do ano (aqui entre nós, aqueles filmes bobos sobre o nascimento e a morte de Jesus, no Natal e 6ª f. da paixão, respectivamente).

Tudo isso despreocupados e deslumbrados, como os passageiros de um cruzeiro marítimo ou os hóspedes de um hotel-fazenda, acrescento eu.

Acho que na Itália não tem parque aquático. Se tem, não chega nem aos pés dos nossos e a água não é quente.

Sim, amigos e amigas. Tudo água quente, quer dizer, morna. Eles aprenderam a perfurar poços mais que profundos e retiram a água do mais profundo aquífero, lá perto do núcleo quente do planeta. Mas pode ser também que a água fique morna com o tórrido sol e os 40ºC do ambiente de janeiro a janeiro.

Pensando bem, não sei se é vantagem a água morna naquele calorão (tenho conhecimento de causa, já tomei muito banho de córgo lá). De todo modo, a água sai quente de dentro da terra ou é esquentada na chaleira. Pense naqueles rios e cascatas e ondas artificiais de águas cristalinas e quentes a escoarem brejo afora... Sim, é um atentado ecológico.

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