Leio no jornal que o Cracolândia se
movimentou, foi para a Av. Rio Branco com a General Osório. Imagino que esse
Cracolândia seja um bicho futurista de cem cabeças, mas um e único bicho. Ou,
ao contrário, um bicho resgatado diretamente da era dos dinossauros.
Esse bicho com cara e cheiro e rosnado de monstro amedronta a população da vizinhança. Imagino o terror de moradores e comerciantes da Luz, Campos Elíseos, Santa Ifigênia, Centro Novo, Santa Cecília, Vila Buarque e até Barra Funda e Higienópolis. “O Cracolândia está esticando as pernas”. “O Cracolândia vem vindo pra cá, meu deus!”. Sem dar uma dentada, o Cracolândia destrói as vidas do pedaço onde ele para pra descansar.
Mas na Praça Princesa Isabel o Cracolândia não descansa mais. A Princesa Isabel é o risco no chão: daqui você não passa, ô Cracolândia! A Câmara deliberou e a prefeitura cercou; com cerca de homens da guarda municipal enquanto a cerca de aço não fica pronta. Mas a prova de que a prefeitura é poderosa e venceu a parada é que, na Praça Princesa Isabel o Cracolância não passa mais.
Acompanho com interesse literário as movimentações do Cracolância. É que moro aqui na encosta do espigão da Paulista, aonde o monstro não chega, estou seguro (mas não nego que tive um leve arrepio quando vi a barraca de lona preta instalada junto à parede do prédio novo ali da esquina e uma cordinha com roupas penduradas entre dois dos coqueiros que compõem o paisagismo frontal).
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