A VIOLÊNCIA E OUTRAS MUTRETAS.
Quando Deus era jovem, a coisa era assim: olho por olho, dente por dente. Bateu, levou. Toda ação provocava uma reação. O violentado dava o troco, na mesma moeda.
Na medida do possível e quando podia, é claro. Imagina o sujeito na delegacia levando um sopapo do delegado e dando outro de volta? E tem marmanjo burro que faz isso e se arrepende na porrada.
O sujeito vai crescendo e aprende algumas manhas. Fica de butuca, joga uma casca de banana... Bate na conversa, maldando. Goza, tira lasca, desmoraliza na maciota. Encosta o corpo, joga. Pega o fortão no contra-pé, usa a funda, feito David, e mata na pedrada.
Aí vem a maturidade. Os filhos. Mas o pobre continua levando tapa na cara. Só que, sábio, oferece a outra face, dissimulado. E desmoraliza os ingleses, feito Gandhi. E destrói um império, feito Cristo.
Mas os do andar de cima não se tocam. Fazem de conta que não é com eles. E continuam pespegando em suas mucamas esses uniformes ridículos de cores e barrados infantis. E continuam frequentando cheios de pompa os bailes da ilha fiscal.
E vem os filhos. E volta os filhos. Cansados da opressão acumulada. Sábios na imaturidade, a parafrasear Nelson Rodrigues: toda violência será castigada. E danam-se a quebrar Bradescos
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