segunda-feira, 2 de outubro de 2017

A CHINA, OS EUA, E A TROPA DE CAVALOS DE TROIA.

Será possível que haja algum lugar no mundo sem facebook?
Ouço Chomsky dizer, numa entrevista, que os meios de comunicação de massa (MÍDIA) dos EUA não divulgam o que o governo manda, só pra reafirmarem a liberdade de imprensa. Mas publicam o que os conglomerados econômicos querem. Então o governo manda os empresários mandarem… O fato é que isso funciona bem, porque a mídia lá deles nunca dá bola fora nas questões estratégicas.
Só que a coisa é sofisticada. Editada. Acatam sim divergências, noticiam tudo, até os fatos inconvenientes. Abordam o inconveniente de forma conveniente… Lá pelos cantos, após as 34ª páginas ímpares, em rápidos segundos e altas horas, tipos minúsculos, aparições fugazes… E as ideias-chave são trabalhadas em multimídias multifacetadas, doses homeopáticas, merchandásicas, subliminares, filmes, seriados, novelas, entrevistas, entretenimento, notícias, programas infantis, pra jovens, pra velhos, religiosos, esportivos, culinários, turísticos...o escambau. Enquanto a nossa MÍDIA dita séria (dos partidos ditos sérios, dos sindicatos ditos sérios, das universidades ditas sérias…) nos enfiam, goela abaixo, o remédio todo de uma vez só, sem nenhum refresco e nenhum afeto, a verdadeira mídia ideológica, a grande, a dominante, trabalha o conteúdo de tal maneira a nos convencer, em primeiro lugar, de que são isentos, neutros, democráticos, livres. E nós acreditamos.
É que ninguém governa sem convencer as massas. No amor ou na dor, todo governo precisa de um mecanismo de convencimento das massas. É uma temeridade governar sem um tal dispositivo.
Antes havia uma segmentação dos mecanismos de convencimento: Para o povão: o Faustão, O Sílvio Santos, o Datena, a fé cristã, as novelas. Para a classe média baixa-média: o Jornal Nacional/Globonews/CBN/Veja e similares concorrentes. E para a elite: as facções partidárias ou universitárias ou maçônicas ou mafiosas ou associativas. E Roliúde pra todos.
Agora há facebook; google; whatsapp, youtube; instagram; twitter; amazon; uber… e seus algoritmos, satisfazendo todo mundo numa tacada só, desde o milionário até o mais pobre, desde o mais esperto até o mais bronco; simplificam ao extremo o mecanismo de doutrinar e controlar e arrecadar, porque o fazem de forma lúdica e remota e aparentemente útil (Muito melhores que o sistema antigo dos royalties e patentes e direitos autorais — também máquinas de arrecadar e controlar —, mas que, às vezes, exigiam uma viagem mais prolongada de algum porta-aviões e até algum desembarque de marines…). Sugam e extraem e caçam e colhem tudo e todos via satélite, sem sair do conforto e segurança das próprias fronteiras, erigindo, colateralmente, mais alguns bilionários humanófilos.

Seria o fim da História, não fosse a China. Dizem que a China bloqueou essa tropa toda. 

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