Será
possível que haja algum lugar no mundo sem facebook?
Ouço
Chomsky dizer, numa entrevista, que os meios de comunicação de
massa (MÍDIA) dos EUA não divulgam o que o governo manda, só pra
reafirmarem a liberdade de imprensa. Mas publicam o que os
conglomerados econômicos querem. Então o governo manda os
empresários mandarem… O fato é que isso funciona bem, porque a
mídia lá deles nunca dá bola fora nas questões estratégicas.
Só
que a coisa é sofisticada. Editada. Acatam sim divergências,
noticiam tudo, até os fatos inconvenientes. Abordam o inconveniente
de forma conveniente… Lá pelos cantos, após as 34ª páginas
ímpares, em rápidos segundos e altas horas, tipos minúsculos,
aparições fugazes… E as ideias-chave são trabalhadas em
multimídias multifacetadas, doses homeopáticas, merchandásicas,
subliminares, filmes, seriados, novelas, entrevistas, entretenimento,
notícias, programas infantis, pra jovens, pra velhos, religiosos,
esportivos, culinários, turísticos...o escambau. Enquanto a nossa
MÍDIA dita séria (dos partidos ditos sérios, dos sindicatos ditos
sérios, das universidades ditas sérias…) nos enfiam, goela
abaixo, o remédio todo de uma vez só, sem nenhum refresco e nenhum
afeto, a verdadeira mídia ideológica, a grande, a dominante,
trabalha o conteúdo de tal maneira a nos convencer, em primeiro
lugar, de que são isentos, neutros, democráticos, livres. E nós
acreditamos.
É
que ninguém governa sem convencer as massas. No amor ou na dor, todo
governo precisa de um mecanismo de convencimento das massas. É uma
temeridade governar sem um tal dispositivo.
Antes
havia uma segmentação dos mecanismos de convencimento: Para o
povão: o Faustão, O Sílvio Santos, o Datena, a fé cristã, as
novelas. Para a classe média baixa-média: o Jornal
Nacional/Globonews/CBN/Veja e similares concorrentes. E para a elite:
as facções partidárias ou universitárias ou maçônicas ou
mafiosas ou associativas. E Roliúde pra todos.
Agora
há facebook; google; whatsapp, youtube; instagram; twitter;
amazon; uber… e seus algoritmos, satisfazendo todo mundo numa
tacada só, desde o milionário até o mais pobre, desde o mais
esperto até o mais bronco; simplificam ao extremo o mecanismo de
doutrinar e controlar e arrecadar, porque o fazem de forma lúdica e
remota e aparentemente útil (Muito melhores que o sistema antigo dos
royalties e patentes e direitos autorais — também máquinas de
arrecadar e controlar —, mas que, às vezes, exigiam uma viagem
mais prolongada de algum porta-aviões e até algum desembarque de
marines…). Sugam e extraem e caçam e colhem tudo e todos via
satélite, sem sair do conforto e segurança das próprias
fronteiras, erigindo, colateralmente, mais alguns bilionários
humanófilos.
Seria
o fim da História, não fosse a China. Dizem que a China bloqueou
essa tropa toda.
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