quarta-feira, 27 de setembro de 2017

UM NOJO.

UMA VONTADE DE SAIR CORRENDO.
Passo em frente ao Shopping Paulista quase todo dia, é caminho da minha casa. E faz tempo, desde os tempos da Mesbla, uma loja de departamentos onde eu era freguês ocasional. Demoliram a loja, construíram o shopping, ele ficou velho, remodelaram, ampliaram, ficou novo de novo, tudo coisa fina, piso vitrificado, ar perfumado e eu ali, na calçada, pra lá e pra cá, atônito. De cinco em cinco anos, mais ou menos, entro lá, quando estou muito distraído. Foi o que aconteceu hoje.
Das outras vezes, eu entrava, ia até o meio do corredor do primeiro piso, acordava e saía, quase correndo. Dessa vez não foi diferente mas, ao acordar, lembrei do comércio de rua do centrão da cidade, que visitei e escrevi sobre, dia desses. Então saquei meu caderninho e caneta e fui em frente, para registrar o contraponto.
Olhando aleatoriamente e anotando os nomes que via: Piso 13 de maio: Criatiff, Puket, Capodarte, Clinique, Shoulder, World Tennis, Häagen-Dozs, Fast, Swarovski, Intimissimi, Opaque; Piso Maestro Cardim: Burger King, Océane, Shades express, Loungerie, Bayard, Maison Depil, Gregory, Bluebeach, Green; Piso Paulista: Sephora, Brooksfield, Siberian, Kipling, Polishop, The Graces, Side Walk, Anna Pegova, L’Occitane Au Brésil, Track & Field, Any, Munny, Khelf, Stroke, Crawford, M.Officer, Practory; Piso Paraíso: Tennis Station, Starbucks Coffee, Mr.Jack’s, Havanna, Braugarten, Baked Potato, ArtWalk, Le Pain Quotidien, Bacio di Latte, Calvin Klein. E agora tem uma seção no último piso, onde você pode comer finamente no The Fiffies Burger, no Bubble Kill ou no Outback Steakhouse.
Não andei todo o shopping não. Anotei só alguns nomes, até para não dar bandeira. O Banco do Brasil, a Zelo e a Quem disse, Berenice? pareciam lojas estrangeiras, num shopping de Nova Iorque.
De soslaio, examinava os frequentadores, enquanto lia as fachadas. Mais ou menos, 99% eram brasileiros, dos quais uns 1(hum)% dominavam a língua inglesa básica. 98% era brasileiros monolingues. Mais da metade eram analfabetos funcionais, sabe essas pessoas que não conseguem traduzir uma ideia em texto? Mas todos em roupa de missa, fascinados com o Deus-Cosmopolita, pisando miúdo, fazendo biquinhos, muito contidos, bem-comportados, sentindo-se em Miami, deslumbrados com todos aqueles detalhes e lojas finas, arrotando barbecue e peidando candy potato. Foi esse povo que fugiu do centrão de São Paulo. É essa mentalidade que atrasa nossa vida.
Na saída secundária da 13 de maio, enojado, ainda tive a pachorra de notar que a Fotótica agora é GrandVision: grande merda! Mas se você não quiser comer chocolate fabricado aqui com cacau nacional, coma Lindt: Maitre Chocolatier Suisse Depuis 1845, fabricado on Suisse, com cacau importado. Du Brésil.
Agora, se você quiser uma sugestão de nome fino e de responsa para um puteiro, eu tenho: Coffee Phodô.




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