sexta-feira, 15 de setembro de 2017

O COMUNISMO IN HOWARD ST.

O marxista de San Francisco.
Vou seguindo pela Howard St, louco pra chegar a 9th St e sair logo daquele sufoco, quando encontro o James:
Putz, que que ocê tá fazeno aqui, cara?
Oxente, passeando. Tamém posso!
É assim. Nego pega uma graninha e já vai pensando. Entramos numa padaria, quer dizer uma panederia, ou sei lá como eles chamam aquelas biroscas em que você come hot dog por metro e toma refrigerante aos quilômetros. É, à vontade, um atentado ao pudor do estômago.
Que que cê aprontô lá em S.J.Rio Preto, semana passada?
Só organizei uma pescaria no Rio Grande, eu, Cidão, Newton e Cleber mais Helena, Dayse, Vivi e Carminha.
O verão na norte-américa comia solto. Aquele sol era coisa de entocar tatu. Saímos andando pela calçada, finalmente dobramos na nona avenida, os táxis com aquela cor esquisita passavam devagarzinho… ou ventando, dependendo se estavam vazios ou cheios. De repente, passamos uma avenidona mais larga e, a cidade que era quadrada, passou a ser de esguelha, ô tristeza pra um turista de julho latinoamericano.
Quê que cê acha desse comunismo aqui, esse monte de gente comendo igual, vestindo igual, falando mal?
Ah, rapaiz, num repara. Aqui nos States é assim mesmo. Quem fala direitinho e não se mistura é maranhense. Isso aqui é enrolado porque é tudo mexicano. Mas em New Yorq é pior. E se você for subindo, cada vez pior, quanto mais brancos, mais alemães…
Alemães!?
É, marxistas. Os tataranetos daqueles irlandeses adoram imitar os vizinhos, obedecer aos comandos das agências publicitárias. Estadunidense de verdade não resiste a uma boa campanha. Adoram colaborar.
James era terrível. Pior era que o cara sabia das coisas. Batia o olho e sacava. Quem diria que aquele moleque descalço, sempre com o nariz escorrendo e o estilingue pronto, ira virar isso. Mas é claro que ia, onde punha o olho, punha a pedra. Moleque de dois rodamoinhos no centro da cuca, tava na cara. Sacou uma carteira de cigarros, me ofereceu um, falei que não fumava.

Na Grove Street, em frente a um monumento grandão, nos despedimos. Ele foi pro lado da Beach, eu fui pro lado do Embarcadero. Por hoje chega, que não aguento mais os pés. Turista sofre. Bem feito! Êta mundo pequeno, a Rússia é logo ali, depois do Alasca.

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