O
marxista de San Francisco.
Vou
seguindo pela Howard St, louco pra chegar a 9th St e sair logo
daquele sufoco, quando encontro o James:
—
Putz,
que que ocê tá fazeno aqui, cara?
—
Oxente,
passeando. Tamém posso!
É
assim. Nego pega uma graninha e já vai pensando. Entramos numa
padaria, quer dizer uma panederia, ou sei lá como eles chamam
aquelas biroscas em que você come hot dog por metro e toma
refrigerante aos quilômetros. É, à vontade, um atentado ao pudor
do estômago.
—
Que
que cê aprontô lá em S.J.Rio Preto, semana passada?
—
Só
organizei uma pescaria no Rio Grande, eu, Cidão, Newton e Cleber
mais Helena, Dayse, Vivi e Carminha.
O
verão na norte-américa comia solto. Aquele sol era coisa de entocar
tatu. Saímos andando pela calçada, finalmente dobramos na nona
avenida, os táxis com aquela cor esquisita passavam devagarzinho…
ou ventando, dependendo se estavam vazios ou cheios. De repente,
passamos uma avenidona mais larga e, a cidade que era quadrada,
passou a ser de esguelha, ô tristeza pra um turista de julho
latinoamericano.
—
Quê
que cê acha desse comunismo aqui, esse monte de gente comendo igual,
vestindo igual, falando mal?
—
Ah,
rapaiz, num repara. Aqui nos States é assim mesmo. Quem fala
direitinho e não se mistura é maranhense. Isso aqui é enrolado
porque é tudo mexicano. Mas em New Yorq é pior. E se você for
subindo, cada vez pior, quanto mais brancos, mais alemães…
—
Alemães!?
—
É,
marxistas. Os tataranetos daqueles irlandeses adoram imitar os
vizinhos, obedecer aos comandos das agências publicitárias.
Estadunidense de verdade não resiste a uma boa campanha. Adoram
colaborar.
James
era terrível. Pior era que o cara sabia das coisas. Batia o olho e
sacava. Quem diria que aquele moleque descalço, sempre com o nariz
escorrendo e o estilingue pronto, ira virar isso. Mas é claro que
ia, onde punha o olho, punha a pedra. Moleque de dois rodamoinhos no
centro da cuca, tava na cara. Sacou uma carteira de cigarros, me
ofereceu um, falei que não fumava.
Na
Grove Street, em frente a um monumento grandão, nos despedimos. Ele
foi pro lado da Beach, eu fui pro lado do Embarcadero. Por hoje
chega, que não aguento mais os pés. Turista sofre. Bem feito! Êta
mundo pequeno, a Rússia é logo ali, depois do Alasca.
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