terça-feira, 12 de setembro de 2017

SHIT TUBE.

Para quem começou fazendo no mato e usando folha de vivo vegetal, é quase como se tivesse morrido e nascido de novo vir a público numa crônica sobre shit tube e papel higiênico. Um dispositivo que todo mundo que sai por aí andando pelas estradas deveria levar. Que deveria ser obrigatório para quem sobe a montanha. Mas se você nunca foi nem pretende ir, vai pensar que fiquei fresco. Como custa pouco, escrevo.
Sim, shit é merda e tube é tubo. Nós, analfabetos funcionais em inglês, já sacamos. Tubo de merda, sem raiva ou ironia.
O fato é que, na montanha, obrar é um problema. Próprio e alheio. Na montanha altona é só pedra, não há como se esconder (porque faz parte da condição humana defecar escondido). Defeca-se na pedra e não no mato. Tem uns que levam uma pazinha para enterrar a merda. Na pedra não é possível. Nos picos menores, há uma área restrita lá em cima, coberta de capim, e, em volta, o precipício. Os montanhistas acampam lá, em poucas clareiras interligadas por trilhas. Algumas dessas trilhas e clareiras viram banheiro a céu aberto. É um perigo. E constrangedor, porque alguns muito desavisados deixam também o papel higiênico, que pra trazer nem precisa de shit tube. A trilha é estreita, as áreas de acampamento são poucas e pequenas, o que sobra é pirambeira. Um monte de merda é uma mina que, quase sempre, explode no pé de alguém. No Aconcágua já é obrigatório trazer a merda lá de cima.
Aliás, isso vale para qualquer tipo de lixo. Tem uns guias de montanha que levam presos à mochila shit tubes coletivos. Mais apropriado seria chamá-los de shit tambores. Coisa civilizada.
E você, cheirosa e sensível leitora, que está a se perguntar como pôde ter caído nas garras de um texto tão chulo, dê-me graças por levá-la lá fora do seu limpinho casulo, ainda que virtualmente. Assim você fica sabendo que lá existe (existe o lá), que é bão e que tem mulher de carne e osso, mulheres bicharedas de boas, com ou sem shit tube.

Enfim, aos que falam “vou fazer o nº2”, sou pela reabilitação do verbo cagar (nem fazer, nem obrar, nem defecar, pelamordedeus). Se você não gostar, vai cagar no mato. Mas se o mato for na montanha, leve shit tube. Tem no google. Só que, se um dia eu levar um, vou traduzir o nome para nossa língua pátria. 

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