Então,
todo mundo tá sabendo que amanhã, 11/01/18, às 17h, em frente ao
Teatro Municipal, São Paulo, capital, haverá um ato de protesto
organizado pelo MPL contra o aumento da passagem dos transportes
coletivos. MPL é Movimento Passe Livre, aos desavisados. Ainda, aos
desavisados, foram atos dessa mesma natureza, chamados pelo mesmo
MPL, que originaram os massivos e famosos (e históricos) protestos
de junho/2013, cujo desfecho foi a derrubada do PT do poder formal
(formal, porque o real o PT nunca atingiu). Tenho muitos amigos
petistas que ainda hoje não se conformam com o MPL por causa
disso...
É
evidente que o protesto tem cabimento, porque R$3,80 já era muito
caro e a passagem aumentou para R$4,00. No fundo, é uma luta pelo
direito de ir e vir, porque, nesta megacidade, qualquer visita ou ida
ao cinema ou ao parque carece de transporte. E 4 pra ir e 4 pra
voltar pesa demasiado no orçamento da maioria da população. Então
todo esse povo acaba ficando em casa, só sai de casa pra trabalhar
ou estudar. Quem tem emprego formal paga menos, mas só pra ir e vir
do trabalho. Quem estuda não paga, mas só pra ir e vir da escola.
Quem tem mais de 60 anos não paga, mas isso é por enquanto (se os
protestos não vingarem, a velharada vai acabar entrando na roda,
também).
A
luta pelo transporte coletivo “pagável” é uma luta pelo direito
de ir e vir do povo pobre. (para os ricos, quanto mais
caro melhor, porque a megacidade fica menos congestionada…).
O
preço da passagem do transporte coletivo numa megacidade em que
quase todo mundo é muito pobre é um problema. Se ficar num patamar
baixo o suficiente para que todos possa ir e vir, acaba não cobrindo
os custos da própria cobrança individual. A parafernália de
cartões e catracas e controles e cobradores custa caro. (além do
custo propriamente dito, custa também em eficiência do sistema,
porque ajuda a atravancar o fluxo de usuários). Ainda esses R$4,00,
impagáveis pela maioria, não cobrem os custos, segundo as
autoridades.
Mas
a megacidade precisa funcionar. Quanto mais facilmente os cidadãos
possam ir e vir, melhor é o funcionamento da megacidade. O
desempenho do comércio, dos serviços e da indústria está
diretamente ligado ao bom funcionamento do transporte coletivo. (o
transporte individual, por carros particulares ou táxi/uber/bici, é
uma quimera, nunca consegue atender mais de 20% da população).
É
então que entra a excelente ideia do passe livre. É algo semelhante
ao SUS. No SUS o cidadão chega, é atendido, vai embora sem que
ninguém fale em dinheiro. É de graça? Claro que não é de graça.
Alguém paga. Quem paga? Todos. Na medida de suas possibilidades e
conforme seus interesses.
E
essa nova safra de protestos pode se transformar em algo semelhante
ao que ocorreu em junho/2013? Não. As forças oposicionistas que
contam não estão interessadas. Os petistas ainda estão magoados
com o infantil MPL e os desesperados e desavisados adeptos do
deputado-coronel já descobriram que MPL e PT é a mesma coisa. Essa
nova saraivada de protestos (porque nunca para num só) está fadada
a juntar 2 ou 3 mil pessoas, quebrar algumas vitrinas e se esgotar.
(a menos que algum alucinado resolva usar outras tantas balas de
borracha ou algo equivalente…). Tomara que eu esteja redondamente
enganado.
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