quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

MAIS UM PROTESTO DO MPL

Então, todo mundo tá sabendo que amanhã, 11/01/18, às 17h, em frente ao Teatro Municipal, São Paulo, capital, haverá um ato de protesto organizado pelo MPL contra o aumento da passagem dos transportes coletivos. MPL é Movimento Passe Livre, aos desavisados. Ainda, aos desavisados, foram atos dessa mesma natureza, chamados pelo mesmo MPL, que originaram os massivos e famosos (e históricos) protestos de junho/2013, cujo desfecho foi a derrubada do PT do poder formal (formal, porque o real o PT nunca atingiu). Tenho muitos amigos petistas que ainda hoje não se conformam com o MPL por causa disso...
É evidente que o protesto tem cabimento, porque R$3,80 já era muito caro e a passagem aumentou para R$4,00. No fundo, é uma luta pelo direito de ir e vir, porque, nesta megacidade, qualquer visita ou ida ao cinema ou ao parque carece de transporte. E 4 pra ir e 4 pra voltar pesa demasiado no orçamento da maioria da população. Então todo esse povo acaba ficando em casa, só sai de casa pra trabalhar ou estudar. Quem tem emprego formal paga menos, mas só pra ir e vir do trabalho. Quem estuda não paga, mas só pra ir e vir da escola. Quem tem mais de 60 anos não paga, mas isso é por enquanto (se os protestos não vingarem, a velharada vai acabar entrando na roda, também).
A luta pelo transporte coletivo “pagável” é uma luta pelo direito de ir e vir do povo pobre. (para os ricos, quanto mais caro melhor, porque a megacidade fica menos congestionada…).
O preço da passagem do transporte coletivo numa megacidade em que quase todo mundo é muito pobre é um problema. Se ficar num patamar baixo o suficiente para que todos possa ir e vir, acaba não cobrindo os custos da própria cobrança individual. A parafernália de cartões e catracas e controles e cobradores custa caro. (além do custo propriamente dito, custa também em eficiência do sistema, porque ajuda a atravancar o fluxo de usuários). Ainda esses R$4,00, impagáveis pela maioria, não cobrem os custos, segundo as autoridades.
Mas a megacidade precisa funcionar. Quanto mais facilmente os cidadãos possam ir e vir, melhor é o funcionamento da megacidade. O desempenho do comércio, dos serviços e da indústria está diretamente ligado ao bom funcionamento do transporte coletivo. (o transporte individual, por carros particulares ou táxi/uber/bici, é uma quimera, nunca consegue atender mais de 20% da população).
É então que entra a excelente ideia do passe livre. É algo semelhante ao SUS. No SUS o cidadão chega, é atendido, vai embora sem que ninguém fale em dinheiro. É de graça? Claro que não é de graça. Alguém paga. Quem paga? Todos. Na medida de suas possibilidades e conforme seus interesses.

E essa nova safra de protestos pode se transformar em algo semelhante ao que ocorreu em junho/2013? Não. As forças oposicionistas que contam não estão interessadas. Os petistas ainda estão magoados com o infantil MPL e os desesperados e desavisados adeptos do deputado-coronel já descobriram que MPL e PT é a mesma coisa. Essa nova saraivada de protestos (porque nunca para num só) está fadada a juntar 2 ou 3 mil pessoas, quebrar algumas vitrinas e se esgotar. (a menos que algum alucinado resolva usar outras tantas balas de borracha ou algo equivalente…). Tomara que eu esteja redondamente enganado. 

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