Dia desses tava falano do vestíbulo do Inferno de
Dante, da porta, do povo sem noção que vive por ali… TÁ BOM, TÁ
BOM! O circo pegando fogo e você aí falano dessa velharia italiana…
… então,
antes de entrar no assunto sério, eu digo que esse cara aí e seus
filhos e seus ministros e seus gurus e seus ídolos vão todos para o
Inferno, sim, mas não pelo que o povo tá falano aí nas redes e
ruas e manifestos e sim pela BOÇALIDADE, pelo pecado da boçalidade,
no que serão acompanhados por muitos santos do pau oco, açulados
por um escarcéu de ratazanas em retirada, navio afundando ao largo
(e, invariavelmente, são todos racistas).
O
Terminal a que me refiro é uma espécie de rodoviária ou aeroporto.
Como o meio de transporte para o Além é único, o Terminal também
o é: o Destino é um só. Diferente de São Paulo, por ex., em que,
para voos regionais, usa-se Congonhas; internacionais, Cumbica; de
ônibus, dependendo da região a que se vai, usa-se Barra Funda ou
Tietê ou Jabaquara; quem viaja de carro usa as saídas da
Bandeirantes-Anhanguera ou Castelo Branco ou Régis Bitencourt ou
Imigrantes-Anchieta ou Dutra-Airton Senna ou Fernão Dias, a depender
do destino.
Quando
o sujeito morre, sua alma vai para o Terminal do Além, viajando pela
Lei da Gravidade Inversa (é uma força metafísica que só interessa
aos mortos, por isso nunca foi nem precisa ser estudada). Não
interessa se santo ou safado, vai todo mundo para esse Terminal
Único.
Há
um enorme saguão, onde só se vê pescoço esticado olhando para
todos os lados à procura de sinais, não obstante todos saberem,
mais as almas frescas, até os nomes das três saídas ou alas ou
portas possíveis. DANTE NÃO CONTOU ESSA PARTE, porque acho que ele
nem percebeu quando passou por ela, pois estava com um guia. Sabe
como é, quando a gente viaja com um guia, esse guia ouve e vê e
pensa e goza pela gente. E aí nessa Pior Viagem, viajamos sozinhos;
nem os santos poderão dizer que viajam com Deus, porque, quando o
cara embarca, Deus, sabendo da eficiência do transporte, já corre
na frente, para recebê-lo.
Nesse
saguão, os santos terão sua primeira decepção: ninguém — ou
quase ninguém — vai para onde eles vão. Nesses terminais, não é
broxante quando vamos para um lugar que ninguém conhece, de que
ninguém fala? Pois assim é o Céu, lá nesse Terminal do Além. Uma
portinha lá num canto, com um porteiro velho e sonolento, que não
faz a barba nem muda de roupa há tempos.
O
Purgatório já está um pouco melhor localizado, mais fácil de
achar, mas ainda uma porta pequena, sem nenhuma inscrição, ninguém
para te receber ou orientar, tudo automatizado, você que se vire:
não tem problema, porque os que para lá se dirigem são santos, mas
espertos.
Já
o Inferno, para onde todo mundo vai — quase todo mundo — é uma
festa de organização e orientação, com porta enorme e iluminada,
e placa indicativa. Nada mais lógico, nos processos massificados de
transporte: quanto maior a demanda, melhor a orientação.
De
longe, já se vê a placa na Porta do Inferno, ninguém confunde.
Sendo que o que está escrito ali, todo mundo entende, porque, por um
processo de tradução simultânea da escrita, muito à frente do
nosso incipiente google, cada alma lê em sua língua
materna.Virgílio leu em Latim, Dante em Italiano e eu, lerei em
Caipirês. Já tô até veno:
PORTA
DA PUTARIA
LUGAR
DE SAFADEZAS DIVERSAS
ONDE
SÓ TEM GENTE QUE NÃO PRESTA.
MOVEU
UM GRANDE CONCHAVO
PARA
ESTANCAR A SANGRIA
COM
MICHEL E SUPREMO E TUDO.
VOCÊ
TERIA PAZ SE TIVESSE PACIÊNCIA
MAS
FOI AFOITO E EGOÍSTA:
— PASSA,
PASSA! ESQUECE! DESTE BURACO VOCÊ NUNCA MAIS SAI.
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