Tá certo que, se é de bagres,
melhor seria cardume. Mas, para aproveitar o signo em evidência, uso
nuvem, ainda que sob as águas. Agora, o Signo é a Nuvem. De bicho,
de microbicho, de vírus, de pó, de dados. Do Mal, de qualquer mal.
Do Apocalipse.
Eu
acho, aqui do meu simplório canto, que a Nuvem de Dados é, essa
sim, o Fim do Mundo. Essa quantidade de memes, vídeos, fotos,
cartazes(virtuais), frases, notícias, comentários, opiniões,
boatos, meias verdades; essa quantidade de joguinhos, séries, essa
quantidade de arquivos de dados virtuais guardados sabe-se lá em
quantos e quais universos, que, resumidamente, chamamos de Nuvem.
Isso
que vem por cima da gente, que nos… soterra? Que nos desarruma os
cabelos (ventania)? Não, essas nuvens-avalanches diárias e
consecutivas de sub-ideias e subsignos que nos envolvem
sub-repticiamente, sorrateiramente, sem se anunciarem, sem qualquer
sinal no céu, que nos desarrumam as ideias.
A
Nuvem do Apocalipse, que se anuncia, é a da tecnologia 5G. De
gafanhotos, é apenas um enxame; de poeira, é apenas poluição
atmosférica, causada pela degradação do território; de vírus, é
apenas mais uma peste que se abate sobre nós.
O
Apocalipse é possível, sem dúvida, num mundo infestado de bagres
(sempre é bom avisar aos que não conhecem: bagre é um peixe
rústico, ingênuo, fácil de fisgar). É lucrativo anunciar que
Cristo está voltando; aliás, Cristo está voltando embalado numa
nuvem de bagres. Os bagres nos empurram goela abaixo a Escatologia (O
que são essas igrejas todas, senão Faculdades de Escatologia!).
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