quinta-feira, 25 de junho de 2020

UMA NUVEM DE BAGRES (O Fim do Mundo)

  Tá certo que, se é de bagres, melhor seria cardume. Mas, para aproveitar o signo em evidência, uso nuvem, ainda que sob as águas. Agora, o Signo é a Nuvem. De bicho, de microbicho, de vírus, de pó, de dados. Do Mal, de qualquer mal. Do Apocalipse.

Eu acho, aqui do meu simplório canto, que a Nuvem de Dados é, essa sim, o Fim do Mundo. Essa quantidade de memes, vídeos, fotos, cartazes(virtuais), frases, notícias, comentários, opiniões, boatos, meias verdades; essa quantidade de joguinhos, séries, essa quantidade de arquivos de dados virtuais guardados sabe-se lá em quantos e quais universos, que, resumidamente, chamamos de Nuvem.

Isso que vem por cima da gente, que nos… soterra? Que nos desarruma os cabelos (ventania)? Não, essas nuvens-avalanches diárias e consecutivas de sub-ideias e subsignos que nos envolvem sub-repticiamente, sorrateiramente, sem se anunciarem, sem qualquer sinal no céu, que nos desarrumam as ideias.

A Nuvem do Apocalipse, que se anuncia, é a da tecnologia 5G. De gafanhotos, é apenas um enxame; de poeira, é apenas poluição atmosférica, causada pela degradação do território; de vírus, é apenas mais uma peste que se abate sobre nós.

O Apocalipse é possível, sem dúvida, num mundo infestado de bagres (sempre é bom avisar aos que não conhecem: bagre é um peixe rústico, ingênuo, fácil de fisgar). É lucrativo anunciar que Cristo está voltando; aliás, Cristo está voltando embalado numa nuvem de bagres. Os bagres nos empurram goela abaixo a Escatologia (O que são essas igrejas todas, senão Faculdades de Escatologia!).


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