Papo
de gente grande.
EM
BUSCA DO TEMPO PERDIDO,
Marcel Proust, 1871-1922, francês.
Marcel Proust, 1871-1922, francês.
Tenho
uma amiga que, de Proust, só leu Sodoma e gomorra. O Em busca do
tempo perdido, ela já ouviu falar, mas nunca nem viu, nem pegou na
mão. Já um amigo começou a ler, do Proust, À sombra das raparigas
em flor; começou mas não terminou, não estava entendendo nada…
Uma
outra amiga, meio riquinha e meio bibliófila, ouvindo muita gente
falar do Proust e seu Em busca do tempo perdido, resolveu ir fundo na
coisa. Entrou na maior e mais completa livraria de SP, aquela ali do
conjunto nacional, na Paulista, e tascou ao vendedor: “Eu quero a
coleção completa do Proust”. Aí o vendedor consultou o catálogo,
pegou os livros disponíveis e os colocou sobre o balcão, empilhados
num único monte, ao alcance das mãos dessa minha amiga, dizendo
que, do Proust, a livraria tinha aqueles. Minha amiga, como boa
livreira amadora e consumidora profissional, já foi logo metendo a
mão, espalhando tudo, folheando, vendo as capas, eram 7 romances,
tudo do Proust, Marcel Proust, francês, tudo traduzido para o
brasileiro. Após consultar pela segunda vez as 7 capas, a amiga
exclamou: “Poxa, não tem exatamente o que eu mais queria, o Em
busca do tempo perdido!”. Aí o vendedor foi ver, conferiu também
um por um, tinha o No caminho de Swann, tinha o À sombra das
raparigas em flor, tinha O caminho de guermantes, tinha Sodoma e
gomorra, tinha A prisioneira, tinha A fugitiva, tinha O tempo
redescoberto, mas não tinha Em busca do tempo perdido. E a prova de
que o Em busca do tempo perdido era o romance mais famoso do autor
era que, em todos os volumes dos outros romances, a editora fizera
questão de colocar na capa essa informação, um truque muito usado
pelas editoras… A minha amiga já ia indo embora, o vendedor
atônito, péra aí, deixa consultar melhor, foi lá novamente no
terminal, quem sabe não tinha consultado direito, num era possível,
viu, conferiu, era aquilo mesmo, não teve como segurar a cliente.
Eu
tinha um colega de turma que se gabava de nunca ter lido um livro
inteiro (era uma turma no curso de Letras…). O cara só lia os
resumos e, pior, só tirava nota boa. Muito inculto e esperto e,
ouvindo aquele buxixo ensurdecedor sobre Proust, pensou que poderia
fazer sucesso lendo algo dele. Na moita, entrou na Florestan
Fernandes, aquela bibliotecazinha anexa ao prédio da Letras da
FFLCH, e pegou o volume mais fininho do Proust, era o romance chamado
A fugitiva. Não leu, mas foi na internet e encontrou vários resumos
lá. Diabos, só não encontrou o resumo do Em busca do tempo
perdido, que tanto ouvia falar; quer dizer, até encontrou, mas não
isolado, bem definido, simplificado, curto, até o resumo era
longo...
Muita
gente já ouviu falar no famoso escritor francês, todo mundo já
ouviu sobre a falada madeleine com chá do seu famoso romance Em
busca do tempo perdido, mas ninguém nunca pegou o volume nas mãos e
pouca gente o leu.
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Vamos
começar de forma longa, grossa e pesada. O livro pesa 4 kg e 300
gramas. E tem 3500 páginas. Treis mil e quinhentas. Me parece que,
em brasileiro, nunca foi editado em um único volume. Teria que ser
em papel de bíblia, em letra de bíblia. Isso só seria possível,
talvez um dia seja possível, mas antes teríamos de fundar uma
igreja, formar fiéis, depois lançar a “bíblia” do Proust e
espalhar que, quem não lesse, iria para o Inferno. Creio que na
França já existe essa igreja e esse volume único, não sei. Em
brasileiro, há os volumes da Editora Globo e os da Ediouro, que
agora viraram da Nova Fronteira.
A
Editora Globo, originalmente de Porto Alegre, agora em S.Paulo,
publicou Em busca do tempo perdido em 7 volumes; a Ediouro publicou
em 3 volumes. Esses mesmos 3 volumes, do mesmo tradutor, o poeta
Fernando Py (morreu agora em maio/2020), foram lançados em 2017,
pela Editora Nova Fronteira.
Dos
7 volumes da Globo, os primeiros quatro foram traduzidos pelo poeta
Mario Quintana, o quinto, pelo poeta Manuel Bandeira em conjunto com
Lourdes Sousa de Alencar, o sexto, pelo poeta Carlos Drummond de
Andrade e o sétimo e último, por Lúcia Miguel Pereira, que não é
poeta, mas é tia de poeta.
Que
diabos que só poetas traduzem Proust? Só poetas traduzem o mais
caudaloso romance de que tenho notícias, o mais verborrágico, 3500
páginas, 4 kg e trezentos, o mais desresumido, o mais antipoético,
se considerarmos que poesia é síntese. O que explica isso? E não
qualquer poeta, é Quintana, é Drummond, é Bandeira.
Enfim,
o Em busca do tempo perdido é composto de 7 volumes, que o próprio
autor foi publicando isoladamente, os primeiros 4 em vida e os 3
últimos após sua morte. Na tradução da Globo, os títulos desses
volumes, pela ordem: No caminho de Swann, À sombra das raparigas em
flor, O caminho de guermantes, Sodoma e Gomorra, A prisioneira, A
fugitiva, O tempo redescoberto. Mas, não se engane. É uma divisão
arbitrária, como se dividíssemos um navio graneleiro carregado de
soja em 7 containers gigantes. É tudo uma coisa só, do primeiro ao
sétimo volume, um continuação do outro, sem qualquer preâmbulo.
Daí porque é tudo ou nada, ou se lê tudo ou é melhor nem começar.
O
Fernando Py, coitado, trocou Raparigas por Moças, no título do
segundo volume. Eu tava no ginásio, comecei a comentar sobre uma
poesia com meus tios, enquanto descansávamos da labuta, havia a
palavra rapariga — o feminino de rapaz— pensava eu, ingenuamente.
Tio Rubens me falou sério (eu tinha 14 anos), “não fala essa
palavra não”. E só explicou que era besteira, o resto deixou por
minha conta. Bem feito, me lançou no mau caminho, estou até hoje
tentando entender.
****
Trata-se
de uma autoficção, em que o narrador se confunde com o autor —
inclusive se chama Marcel, como o autor —, e narra sua vida, desde
a infância, em finais do século XIX (Proust nasceu em 1871) até
sua morte, em 1922. Seria uma espécie de livro de memórias. Mas não
é. Ou é? O narrador (e não o autor) garante: “Neste livro, onde
não há um fato que não seja fictício, nem uma só personagem
real, onde tudo foi inventado por mim segundo as necessidades do que
pretendia demonstrar, ...” (p. 128 de O Tempo Redescoberto, Globo,
15ª ed.).
Inventado
ou não, o leitor conhece, através da leitura do romance/memória,
as conversas, os pensamentos, o “clima” reinante na Paris naquele
período, desde a derrota de 1870, na guerra com a Prússia (depois
Alemanha) até a vitória de 1918, na guerra com a mesma Alemanha,
passando pelo caso Dreyfus (1894, deixando claro que o antissemitismo
já existia antes dos nazistas e não era coisa só de alemão).
No
período, os lampiões são substituídos pelas lâmpadas elétricas,
os fiacres pelos automóveis, o 2º Império pela 3ª República, os
nobres pelos burgueses. Surge o avião, a metralhadora, o tanque de
guerra e as armas químicas. E o telefone. Mas continua-se a escrever
cartas. Mas, continua-se morrendo de pneumonia. Da mesma forma,
continua-se a sofrer de duques, príncipes e marqueses e outros
esnobismos; ainda há ecos de feudalismo, no centro da revolução
burguesa ocorrida já há um século; continuam, mais do que nunca,
os habitantes de Paris e do resto do mundo, divididos em classes
sociais muito bem definidas no espaço e nos salões e nas mentes e
nas práticas de todos.
Em
busca do tempo perdido faz comparações nas artes mais diversas e
mais altas (são personagens: Berma: Teatro; Bergotte: Literatura;
Elstir: Pintura; Vinteuil: Música). Cada caráter (personagens,
fatos, situações, ideias, etc.) apresenta as faces
opostas(múltiplas); para conferir peso e solidez ao livro, ele é
preparado minuciosamente, com constantes reagrupamentos de forças,
como em vista de uma ofensiva, suportado como uma fadiga, aceito como
uma norma, construído como uma igreja, seguido como um regime,
vencido como um obstáculo, conquistado como uma amizade,
superalimentado como uma criança, criado como um mundo, sem
desprezar os mistérios que provavelmente só se explicam em outros
mundos, e cujo pressentimento é o que mais nos comove na vida e na
arte. Este parágrafo inteiro é quase a transcrição do escrito
pelo narrador, à página 279 do último volume.
Sim,
é a história de um garoto que pretende ser escritor, que pretende
escrever um livro. É uma estória com começo, meio e fim; há
personagens bem definidos, que se envolvem em paixões, desenlaces,
mortes; o espaço e o tempo estão presentes, ajudando a narrativa.
Tudo isso seria muito bem narrado numas 120 páginas. As 3400 páginas
restantes? Bem, as 3400 páginas restantes trouxeram o livro até
aqui, até 2020.
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São
3500 páginas, 4,3 quilogramas, não é brincadeira não. A mancha da
página não dá moleza, são 42 linhas de 60 espaços. Nenhuma
ilustração, 2 ou 3 subtítulos por volume, pau reto. Nos 4
primeiros volumes, nova edição, acrescida de notas, que ajudam a
encher mais o saco do calhamaço.
Bem,
se você julga as leituras fúteis tão prejudiciais quanto os
bombons e os bolos, você pode ler Proust. Quer dizer, tenho dúvidas,
sei que o Marcel narrador foi quem disse isso, que as leituras fúteis
são tão prejudiciais quanto os bombons e os bolos, lá na página
65 de No caminho de Swann, na edição de 2011, da Globo.
E
se você gosta de coisa sucinta, leve, rápida, simples, melhor
amarrar seu burro em outra freguesia. Sobre qualquer e todo aspecto
ou fato ou situação ou personagem, o narrador passa e repassa e
trespassa e martela por cima e aplica várias demãos e lixa e pole e
limpa e lava e mal embala. E garante que “há menos força numa
inovação artificial que numa repetição destinada a sugerir uma
verdade nova” (p.552 da nova edição de 2009 do À sombra das
raparigas em flor, da Globo). O jantar na casa dos Guermantes dura
140 páginas, da 451 à 590, da nova edição de 2007, da Globo, em O
caminho de Guermantes. Um cisco, um susto, um pum, e lá se vão 15,
20 páginas…
Mas,
se não é a preguiça nem a falta de tempo ou dinheiro que impedem o
surgimento de leitores, mas a indigência cultural, a censura, o
obscurantismo, o messianismo, o escapismo, o narrador Marcel diz que,
do outro lado, o da produção cultural, “na sociedade polida quase
não se encontram romancistas, poetas, todas essas criaturas sublimes
que falam justamente o que não se deve dizer” (p.270, da nova
edição de 2008, de Sodoma e gomorra, da Globo). Sociedade polida,
sociedade contida. Em Sodoma e gomorra, Proust fixa e arrebita,
depois arranca e torna a fixar e bate e rebate o tema da
homossexualidade, impensável aqui, e improvável lá; não apenas
nesse volume, mas em todos os demais, a partir desse. E não somente
a homossexualidade masculina, mas, principalmente a feminina, através
da sua personagem Albertine. Para Proust, todos, homens e mulheres,
são, no mínimo, bissexuais. São ou poderiam ser, uns praticam,
outros não. Porém, não há o mínimo erotismo literário nos 4,3
Kg da papelama.
Ler
Em busca do tempo perdido equivale à prática da mineração, aquela
artesanal, descalço dentro do barro, segurando a bateia. Suor,
cansaço, desânimo e, de vez em quando, uma pepita. Por exemplo, em
A fugitiva (11ª ed., da Globo), veja o que garimpei: “o hábito
de pensar nos impede, não raro, de sentir o real, imuniza-nos contra
ele, torna-o, também ele, pensamento”(p.172) ou “o hábito
embrutecedor, que durante todo o curso da vida nos oculta mais ou
menos todo o universo e, em uma noite profunda, sob sua etiqueta
imutável, substitui os mais perigosos ou mais embriagadores venenos
da vida por algo de anódino, que não proporciona delícias”(117)
ou “deixemos as mulheres bonitas aos homens sem imaginação”
(27) ou “ninguém acredita em vida após a morte” (p.184, se
acreditassem, ninguém falaria mal de quem morreu, não se teria
tanto medo da morte, não se choraria tanto nos funerais). Mas, olha
essa pepita: “como mandar ferver a água em tempo de epidemia”
(p.14, sim, era tempo da gripe espanhola e respectiva paranoia).
Essa
pepita de ferver a água por causa da epidemia me lembrou que a vida
dos franceses, 100 anos atrás, esmiuçada no romance, estava à
frente da dos brasileiros de hoje, enquanto povo, ser coletivo, na
cultura, na prática, na visão de mundo, é o que me sugeriu a
leitura. Realmente, a sensação é a de que nós, brasileiros, ainda
não chegamos ao séc.XX. Não é novidade nem motivo de espanto, há
muita gente boa aqui e alhures que garante que ainda não passamos
por 1789. Se Marcel dizia, em 1920, que “não se tem impunemente
mil anos de feudalismo no sangue” (p.633, de O caminho de
guermantes), nós, mais ainda, e mais desgraçados, dizemos que não
se tem impunemente 300 anos de escravidão no sangue, que não se tem
impunemente 50 anos de analfabetismo funcional no sangue.
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Se
Proust, elegantemente, abre um leque de adjetivos/substantivos, todos
pertinentes, cada um com sua cor e significado próprios, para
qualificar determinadas situações, o jogo dos contrários ou o
encadeamento de negativas deixa o leitor maluco, para não dizer
perdido. E a frase longa desanima o mais pernóstico fiel.
Por
exemplo, em A prisioneira, às páginas 285, 292, 297, 359,
respectivamente: “...renunciar ao espanto, ao desassossego, à
aflição ou à alegria”, quatro substantivos na mesma cena;
“...pois, sensitivo, nervoso, histérico, era um verdadeiro
impulsivo,...”, quatro adjetivos; “...sob as feições de
parasitas, bajuladores, ladrões, bêbados, ora humildes e ora
insolentes, devassos e até assassinos.”, oito adjetivos; “Agora
o conhecimento que eu tinha deles era interno, imediato, espasmódico,
doloroso.”, 4 adjetivos. Se o tamanho do volume fosse por causa
disso, tava bom…
Por
exemplo, o puzzle, o quebra-cabeças do jogo dos contrários, uma
coisa feita para prolongar a frase, para deixar a bagaça prolixa
(intencionalmente, parece). Ainda n'A Prisioneira (aqui eu já tava
injuriado), às páginas 279, 293 e 296, respectivamente (veja que
são páginas próximas, eu estava prestando atenção, mas isso
acontece ao longo de todas as 3500): “...para cada reputação
imerecida há uma centena de boas que não o são menos.”; temos a
negativa de imerecida, que nega o não, que nega o menos e vice-versa
ou muito ao contrário. Tente entender. “ou ainda porque num meio
que não era o seu, se sentia menos à vontade e menos corajoso do
que o teria sido no Fauborg.”, temos o não negando o menos e o
futuro do pretérito composto para complicar; e esta: “Os antigos
não amavam menos intensamente o agrupamento humano a que se
devotavam porque este não excedia os limites da cidade, nem os
homens de hoje amam menos a sua pátria do que aqueles que amarão os
Estados Unidos de toda a terra.”; é um não que nega um menos que
nega outro não que contradiz um nem que ataca outro menos… haja
atenção.
Por
exemplo, à página 260, de O Tempo Redescoberto, tive a pachorra de
contar 159 palavras numa frase. Numa única frase, separadas apenas
por vírgulas e dois travessões. Parece que teve gente que andou
contando no livro todo, sistematicamente, tem frases maiores, dizem.
Dá pra ler uma frase desse tamanho e entender, numa única vez?
E
é sempre bom lembrar que Proust é um crítico de arte. E, claro,
não poderia poupar seus leitores. Bem umas 500 páginas (acho que
mais) são críticas puras, a Literatura, claro, mas também a
música, a pintura, a dramaturgia. Para cada área, uma personagem:
Bergotte, Vinteuil, Elstir, Berma. Sem falar nos comentários ao
vestuário e à decoração da curriola e respectivos salões.
Não
posso deixar de informar o caráter da família do narrador, crucial
para entender o livro: “Tive, bem perto de mim, o exemplo de minha
mãe, que a sra. de Cambremer e a sra. de Guermantes nunca puderam
convencer de tomar parte em nenhuma obra filantrópica, em nenhuma
instituição patriótica de beneficência, de ser vendedora ou
patrocinadora em festas de caridade...” (p.297 d'A prisioneira). O
narrador quer opor a hipocrisia da nobreza e dos ricos em geral ao
republicanismo de parte da burguesia, esclarecida, progressista, à
qual pretende pertencer. A mãe e a avó eram muito mais benéficas
para a sociedade do que aqueles ricos caridosos, embora não
parecessem, para o senso comum.
Enfim,
o livro consiste em opor burgueses ricos e cultos (Swann, Legrandin,
Bloch, os Verdurin, o próprio narrador), aos nobres ricos e
decadentes (os Guermantes, como representantes do feudalismo
remanescente, de uma tribo de príncipes de araque, de duquesas,
marquesas, condessas). Em busca do tempo perdido nada mais é que uma
Revolução (francesa) na Literatura, a retratar a revolução na
tecnologia e nos costumes, a testemunhar o advento do século XX. De
fato, Hobsbawm diz que o séc.XX começou em 1914; Proust ajusta isso
para 1918 ou 19 (alguém ou Lenin poderia reajustar para 1917, mas
isso fica para o romance seguinte…).
Pra
terminar, uma intriga que me intriga. Após passar mais de 20 anos
ausente dos salões, em parte devido a internações para tratamento
da saúde precária, o narrador vai a uma recepção dada pela
princesa de guermantes. Lá encontra boa parte de seus amigos e nota
que estão todos velhos, claro. Passa, então, as últimas 100
páginas do romance esmiuçando os sinais de velhice que via neles.
E, dentre esses sinais, nenhuma referência à calvície masculina.
Ou os homens não tiravam o chapéu dentro dos salões — porque os
usavam, todos, ao ar livre — ou Proust ignorou o aspecto visual
mais evidente na velhice do homem.
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