Vi a frase num muro e agora ela não me sai da cabeça. Pensei logo no Duda Mendonça, no Nizan Guanaes, no João Santana. Pensei que tinha algo a acrescentar. Até porque já sou rodado o suficiente para ter visto com meus próprios olhos o famoso verso do Caetano pichado no muro da mansão que havia na esquina da Teixeira da Silva com a Paulista. Acho que ainda era anos 1970, o Patrimônio Histórico discutia o tombamento das mansões remanescentes da Paulista e, numa bela manhã, quase todas amanheceram semidestruídas por seus próprios proprietários. Então um gaiato pichou lá o da força da grana que ergue e destrói coisas belas e eu não sei se tive a felicidade ou a infelicidade de ver e registrar a poesia viva e acusatória diante da destruição histórica.
Agora, outro gaiato é mais sucinto e mordaz, mas hermético.Assim tão curto, pouca gente vai entender, ao contrário do verso de SAMPA. É que eu me lembro que o Maluf amava São Paulo. Duda Mendonça criou o famoso "Amo São Paulo" e um coração vermelho bem redondinho, com os quais Maluf ganhou a eleição. Antes o Jânio já havia ganhado a eleição com a vassoura, que não sei quem criou. FHC ganhou a eleição com a palavra REAL, mas aí não foi criação de publicitários e sim de financistas mui espertos. Posteriormente, o mesmo Duda Mendonça adocicou o Lula perante as madames dos Jardins, criando o Lulinha paz e amor.
João Santana não teve muito trabalho contra Alckmim, Serra e Aécio, bastou associar a chuchu e a pó. Pó de serra, minha gente, olha lá! Poeira de helicóptero, olha lá! A fórmula para eleger esse trio não é publicitária; é midiática...
Quando pensava que a coisa estava esgotada enquanto modelo para se ganhar eleição, olha só o que nos enfiaram goela abaixo: João Trabalhador. E o popular gesto dos dois dedos em riste na horizontal, que dizem que significa "acelera". Só sei que o gesto é muito popular, meio transgressivo, quase subversivo, diria. E o João é trabalhador. Uma combinação perfeita, invencível mesmo, pra pulverizar qualquer brilhantina no cabelo.
Maluf amava o comércio. Qualquer comércio. Lula amava a luta. Essa incontornável labuta popular. João ama o LIDE. João ama o lucro. João ama a livre iniciativa da força da grana.
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