Ia eu em minha bici pela calçada da Tiradentes, quando uma família de 6 caminhava em linha, lado a lado, impedindo a ultrapassagem. Encostei atrás do mais volumoso da turma, que caminhava próximo ao meio fio e adotei a velocidade deles, sem acionar qualquer gadget sonoro, que não tenho, muito menos gritar ou assobiar ou falar. O que caminhava no outro extremo da linha me viu e avisou o grandão, que, solícito e sorridente, me deu passagem, recebendo em troca meu silencioso e agradecido sorriso.
Vivo por essa megalópole pra lá e pra cá, de trem, ônibus, metrô, bicicleta, carro, táxi. Ando muito a pé. Não me lembro de ter sido deliberadamente atrapalhado em minha vida de ir e vir. Nem hostilizado. Ao contrário, recebo das mulheres e homens com quem cruzo, sinais de compreensão e de ajuda. É certo que muitos estão tensos, alguns atônitos, mas na hora da ação prática, como segurar algo que cai, todos se apresentam para ajudar.
É que a arraia miúda torce para dar certo. Essas pessoas que não ficam encasteladas em suas fortificações ou seus bólidos pessoais desejam que as coisas funcionem: as coisas práticas. E quase tudo que se apresenta na vida de um frequentador da cidade é prático: encontrar um endereço, um ônibus, onde almoçar, uma farmácia, uma banca de jornal.
O povão, o zé-povinho, faz o possível e o impossível para que nada quebre, que não acabe a energia, que o tráfego flua. E deseja, sem dúvida, que haja casa e comida e creche e escola e transporte e saúde para todos. O populacho, os que se mostram em público sem seguranças, não faz a guerra para obter a paz. Esse povo quer a paz pela paz. Esse povo conspira para o sucesso. Para esse povo, quanto melhor, melhor.
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