Cena
de uma viagem mista — a pé, de ônibus, de carona — ao longo do
Rio Grande, até sua nascente. Cenário: Terminal de ônibus de
Lavras (MG). Segunda década do Séc.XXI.
Hotelzinho
no centro, domingo deserto, levanto cedo, me ponho a cismar: Vou de
ônibus até Itutinga e de lá continuo a pé até Carrancas...
...mas
ninguém trabalha hoje e o circular só vai até Itumirim. Então vou
com o circular, desço no trevo de Macuco e acabo de chegar de
carona...
...ou
vou andando...
...se
atrasar e não chegar antes do escurecer, acampo na estrada (para
isso, levo a casa nas costas, 2,5 Kg a mais).
Mas
poderia iniciar a caminhada em Rosário ou ficar dormindo no hotel em
Lavras.
E
se eu ficasse curtindo uma praia no Capivari, a meio caminho?
Ou
improvisasse um anzol e uma linha num bambu, cujas moitas estão por
toda parte? É possível colher minhocas com a mão, no brejo beira
rio.
Ligo
a internet móvel ou economizo? Vale a pena ver as últimas notícias?
Nego
ajuda ao espertinho que perdeu a carteira e quer 8,50 pra voltar pra
casa, porque sou andarilho e estou com o dinheiro contado.
Incrível
como pululam esses tipos nas rodoviárias.
Mas
abro o Google Maps pra mocinha bonita que me pergunta se sei onde tem
um mapa.
Ela
me pergunta se conheço algum lugar bonito pra se ir, está viajando
de carona pela BR.
Ela
quer aventura, mostro-lhe a mochila. Mas ela só aceita carona na BR.
Só que aqui não tem BR, aqui tem MG.
Sendo
que sou SP, mas posso trabalhar com outras letras do alfabeto.
Digo
que estou a pé, ela tira os trem.
E,
afinal, há um ônibus às 9h45 pra São João Del Rei, que
passa em Itutinga. Mais uma etapa viabilizada.
Amanhã
a gente planeja o depois de amanhã, no hotel em Carrancas, antes de
dormir.
São
Vicente ou Madre de Deus?
Só
o Rio Grande que não sai do lugar. Represas. Não corre mas sobe ou
desce. Pulsa.
E
o caipira a cismar: sou quase mineiro.
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