segunda-feira, 21 de agosto de 2017

LARGO MULHER E FILHOS.

LARGO MULHER MAS NUM LARGO FILHOS.
Por quê? Nem mulher posso largar mais? Largo mas não esqueço, tá bom assim? Largo, mas não desapareço, tá bom assim? Tudo bem que a mãe dos meus filhos já é minha parente de sangue, mas daí a me amarrar a ela como a Igreja e a bancada da bíblia e poucas feministas literais querem vai léguas. Claro que a parte material da coisa não se discute, mas, se é bom, como pai, ter a sabedoria de saber a hora de largar os filhos ao largo da vida, como a águia no alto do rochedo larga o filhote no vazio, por que devo me amarrar à mãe deles para toda a vida, como se fosse um escravo?
Diabeísso de vincular uma relação eterna com uma associação humana e um endereço?
E se os filhos já forem crescidos e já tiverem me largado? Ou os filhos também não podem largar os pais? Diabeísso de todo mundo grudado em todo mundo, cadê a solidão fundamental humana sem a qual ninguém deduz nada? Diabo de maniqueísmo é esse de largar e ser largado, como se as decisões devessem caminhar sempre juntas? Diabo de gente que gosta de gesso, de tranca, de parada, de sossego. Diabo de gente que quer a cena congelada no tempo, que quer fazer de uma fotografia a cena de uma vida inteira.
E se a mãe já não aguenta mais o bafo e o ronco do pai? E se agradece aos céus por ter sido largada, mas, sacana, sai gritando como vítima e arruinando todo mundo nos tribunais e nas vizinhanças?
E se o pai, que apesar do tempo e da rotina, ainda gosta muito do bafo e do ronco da mãe, mas é deixado por ela e, louco, jura vingança, vai atrás, não deixa em paz, mata e consome?
E se o pai, monstro, simplesmente não aceita outra decisão que não a própria?
E se o filho, frouxo, não cria asas e corta e sabota as próprias asas, e se amarra e não consegue desatar o próprio nó e, por isso, permanece estacionado e manietado só porque a mãe e o pai o castram diariamente com ensinamentos e conselhos e lamentos de abandono?
E se a mãe se aliena ao pai que é a expressão do machismo e, então, não pode ser deixada, sob pena de desamparo, e então esse pai nem vai poder pensar em largar essa mãe, mas, sai por aí sem correr o risco de ser largado? (porque quem não admite largar, não admite ser largado, equação que resulta em tragédias). E os filhos, nesse lar hipócrita, forçados, largam todo mundo e se lançam no vazio, antes mesmo de criarem asas?
Ou se alienam do mundo, sufocados?
Largar e ser largado só tem cabimento entre quem aliena e quem é alienado. Uma relação igualitária apenas se desfaz, com poucos arranhões. E os filhos continuam solitários cidadãos do mundo, porque ninguém é nem deve ser de ninguém.

E se o poeta desse ouvidos aos pobres de espírito?

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