Tanto
quanto a NASA ou a USP ou qualquer outra instituição de pesquisa,
um hospital é um templo da ciência.
Mas
o que está fazendo ali sobre o balcão esse montinho de panfletos
com a oração ao Pai Eterno?
Pois
acho meio esquisito essa coisa de um templo da ciência ser
administrado por um templo de verdade.
Um
cérebro religioso comandando todos aqueles cérebros pragmáticos,
todas aquelas experiências muito concretas. Freiras ou padres ou
médiuns ou aiatolás ou rabinos comandando todos aqueles homens e
mulheres de ciência. Toda aquela parafernália tecnológica, aqueles compostos químicos, aquela preocupação em avançar e acumular e transmitir conhecimentos (porque todo grande hospital é também escola).
Mas,
pensando bem, faz sentido. Porque a um hospital vamos pra viver e,
igualmente, pra morrer.
(porque,
na hora do vamovê, na hora da morte, só Cristo salva. Cristo ou seu
equivalente Maomé, Kardec, Pai Ogum, Jeová, Buda, Zeus…)
Não
tem coisa mais sem serventia do que a ciência, na hora da morte.
Quando você está com um ente querido agonizante e entra na UTI
aquela freirinha toda bem composta, paramentada com cruzes e
rosários, você sente como se um anjo viesse salvar o moribundo das
mãos daqueles macacos de azul, em que não se distingue o cirurgião
do entregador de refeições. Porque se trata de um povo vestido tudo
igual, com calções e camisões mal ajambrados, impassíveis perante
todo e qualquer último suspiro.
Porque
o homem ou a mulher de Deus nos salva daquelas mentes frias e
limitadas, materialistas, que gostam de números e percentagens, que
tratam igual e burocraticamente as altas convencionais e as altas
celestiais...
Mas
que não me conformo com aquele cartaz ensinando como se higieniza as
mãos fixado na parede bem acima do montinho de panfletos com a
oração ao Pai Eterno, isso não me conformo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário