SUBJUNTIVO.
A
língua é um lamaçal de sabão. Toda língua. Falada em público ou
por escrito, escorrega que nem quiabo, ninguém para em pé. Dizem
que a Língua Portuguesa é mais lisa ainda. Acho que não. Toda
língua tem suas armadilhas. Por que será que inventaram COLHEITA e
COLETA para se referir, grosso modo, ao mesmo ato de coletar ou
colher algo. O marido e a marida formam o casal conjugal. E um é do
outro uma terceira coisa: CÔNJUGUE. Mas não, não é cônjugue, é
CÔNJUGE. E a confusão entre CÂMARA e CÂMERA? Não tem quem não
confunde caçar rolinha com caçarolinha. Com a língua, estamos SOB
ataque pisando SOBRE ovos o tempo todo. As RUSGAS suscitadas pela
língua são as principais responsáveis por nossas RUGAS. Já
perceberam que quanto mais fala e escreve o cidadão, mais enrugado e
enroscado ele fica? Quem é que consegue escrever SUSCITAR
corretamente, sem olhar no google? E por que ENRUGADO e ENROSCADO se
escreve com um R só, mas se pronuncia com dois RR? Lula agora
gostou do INCOMENSURÁREL. Vira e mexe e ele tasca o adjetivo. Eu, se
fosse ele, e em prol do estilo, variava com DESMEDIDO, IMENSO,
INFINITO, sei lá, coisas assim, de acordo com o contexto. Porque, na
língua, o contexto é quase tudo e o sem-texto sempre mete os pés
pelas mãos e escorrega no sabão. Outra coisa que derruba dois em
cada três viventes da língua é o A relacionado ao tempo passado ou
vindouro: “sou amigo do juiz HÁ dois anos”. HÁ dois dias atrás,
quebrei o pé. Mas que diabos esse ATRÁS está fazendo aí, se o HÁ
já quer dizer dois dias atrás, a partir de hoje, quebrei o pé?
Porém, daqui A dois dias, vai esquentar. Mas eu poderia fugir dessa
casca de banana do verbo haver e dizer que FAZEM dois dias que
quebrei o pé. Nãnãninãnão! TÊM dias que a gente não dá uma
dentro! Ihhh!!! Não é TÊM(plural), mas TEM(singular).
Pelamordedeus, vou ser farmacêutico! Vou ser engenheiro! Físico!
Matemático! (conheço ao menos um matemático e uma matemática
muito bons nesse ensaboado, que não escorregam nunca). Porém, se eu
vim a ser juiz… adevogado… Porém, se eu querer botar banca,
querer me estabelecer, terei de aguentar o rojão, ter competência.
Em termos de área escorregadia no território da língua, nada se
compara ao SUBJUNTIVO. Pouca gente para em pé. Sendo que p’ra mim,
PARA do verbo parar tinha que continuar com acento. P’ra EU fazer
um omelete, preciso d’uma frigideira. Que tal dar uma frigideira
p’ra MIM? Enfim, preciso me MANTER informado, porque, se eu me
MANTIVER alienado, ficarei vendido. OPA!, agora parei de pé no
subjuntivo!
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