quinta-feira, 3 de outubro de 2019

PEGUEI A PROMOTORA.

(HISTÓRIA COMPLETA SOBRE NOTÍCIA DE JORNAL).
Estou pegando a promotora”, o sistema de som estava ligado, eles não sabiam, a conversa do locutor do supermercado com seu auxiliar vazou para os céus da imensa loja, clientes e funcionários, todo mundo ouvindo a conversa dos dois, o locutor dizendo que estava pegando a promotora. Talvez a promotora já estivesse em outra loja naquela manhã, essas demonstradoras de virtudes de algum produto aparecem e desaparecem sem muita explicação.

Antigamente os machões pegavam a professora. Ou melhor, casavam. Naquele tempo ninguém pegava ninguém, tinha de casar. Na nova era, pós anos 60, o chefe pegava a secretária, o comandante pegava a aeromoça, o paciente pegava a enfermeira; fico sabendo agora, após ler a notícia e dar um google em “pegando a promotora”, que essa é a atual profissional-mulher-pegável. São encontradas nos corredores dos supermercados, bem-maquiadas, bem-vestidas, a oferecer um novo tipo de queijo a nós-ratos…

Veja que esse verbo pegar é bem adequado a um objeto...

O jornal publicou a notícia incompleta. Estou aqui para contá-la toda. Esse tal locutor vivia pegando todas as promotoras que apareciam na loja. Era um esquema bom para ele e ruim para seus amigos que quando ficavam sabendo da façanha a caça já estava longe, sabe-se lá com qual produto, promoção. Longe, inocente, incapaz de desmentir o falastrão.

Esse caso aí se deu às 7h da manhã, praticamente só os funcionários ouviram, sendo que a maioria ainda estava meio sonolenta, abrindo os caixas, quase ninguém percebeu, teve nenhuma repercussão, o gerente relevou. Mas calhou da promotora-vítima ainda trabalhar naquela loja, naquele dia, embora tenha chegado mais tarde. Suas colegas lhe contaram. Normalmente isso fica entre os homens e circula como boato, é uma das mais comuns sacanagens dos homens contra as mulheres.

Porque pegável é uma boneca inflável.

Não, a promotora não se pôs a chorar nem foi tirar satisfações com o locutor, que continuava lá, todo pimpão, com sua voz de melão açucarado. Foi à mais conversadeira das colegas e ao mais conversador dos colegas, separadamente, pedindo segredo, e contou-lhes que o locutor tinha o pinto pequeno e flácido e ejaculação precoce e também mau hálito.

Enfim, se era calúnia ou verdade da promotora, ninguém soube, não apareceu ninguém para depor em favor do locutor ao final do expediente — quer dizer, ninguém para iniciar um contraboato —, quando a loja inteira, incluindo a clientela mais assídua, já sabia da fama do rapaz, incluindo o próprio. É claro que o moço nunca mais apareceu, tiveram que improvisar um locutor no outro dia.

Mas, sim, era uma promotora de outro mundo. Tanto que por pouco ela não arruinou a contraofensiva, ao utilizar os desconhecidos e bem-comportados termos flácido, precoce e hálito. Porque a gente sabe que isso conta. Se você mandar alguém ir à profissional do sexo que o gerou, vai receber de volta no máximo um muxoxo. Essas pessoas se embananam demasiado com as palavras. O que derrubou o locutor foi o pinto pequeno.


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