(HISTÓRIA
COMPLETA SOBRE NOTÍCIA DE JORNAL).
“Estou
pegando a promotora”, o sistema de som estava ligado, eles não
sabiam, a conversa do locutor do supermercado com seu auxiliar vazou
para os céus da imensa loja, clientes e funcionários, todo mundo
ouvindo a conversa dos dois, o locutor dizendo que estava pegando a
promotora. Talvez a promotora já estivesse em outra loja naquela
manhã, essas demonstradoras de virtudes de algum produto aparecem e
desaparecem sem muita explicação.
Antigamente
os machões pegavam a professora. Ou melhor, casavam. Naquele tempo
ninguém pegava ninguém, tinha de casar. Na nova era, pós anos 60,
o chefe pegava a secretária, o comandante pegava a aeromoça, o
paciente pegava a enfermeira; fico sabendo agora, após ler a notícia
e dar um google em “pegando a promotora”, que essa é a atual
profissional-mulher-pegável. São encontradas nos corredores dos
supermercados, bem-maquiadas, bem-vestidas, a oferecer um novo tipo
de queijo a nós-ratos…
Veja
que esse verbo pegar é bem adequado a um objeto...
O
jornal publicou a notícia incompleta. Estou aqui para contá-la
toda. Esse tal locutor vivia pegando todas as promotoras que
apareciam na loja. Era um esquema bom para ele e ruim para seus
amigos que quando ficavam sabendo da façanha a caça já estava
longe, sabe-se lá com qual produto, promoção. Longe, inocente,
incapaz de desmentir o falastrão.
Esse
caso aí se deu às 7h da manhã, praticamente só os funcionários
ouviram, sendo que a maioria ainda estava meio sonolenta, abrindo os
caixas, quase ninguém percebeu, teve nenhuma repercussão, o gerente
relevou. Mas calhou da promotora-vítima ainda trabalhar naquela
loja, naquele dia, embora tenha chegado mais tarde. Suas colegas lhe
contaram. Normalmente isso fica entre os homens e circula como boato,
é uma das mais comuns sacanagens dos homens contra as mulheres.
Porque
pegável é uma boneca inflável.
Não,
a promotora não se pôs a chorar nem foi tirar satisfações com o
locutor, que continuava lá, todo pimpão, com sua voz de melão
açucarado. Foi à mais conversadeira das colegas e ao mais
conversador dos colegas, separadamente, pedindo segredo, e
contou-lhes que o locutor tinha o pinto pequeno e flácido e
ejaculação precoce e também mau hálito.
Enfim,
se era calúnia ou verdade da promotora, ninguém soube, não
apareceu ninguém para depor em favor do locutor ao final do
expediente — quer dizer, ninguém para iniciar um contraboato —,
quando a loja inteira, incluindo a clientela mais assídua, já sabia
da fama do rapaz, incluindo o próprio. É claro que o moço nunca
mais apareceu, tiveram que improvisar um locutor no outro dia.
Mas,
sim, era uma promotora de outro mundo. Tanto que por pouco ela não
arruinou a contraofensiva, ao utilizar os desconhecidos e
bem-comportados termos flácido, precoce e hálito. Porque a gente
sabe que isso conta. Se você mandar alguém ir à profissional do
sexo que o gerou, vai receber de volta no máximo um muxoxo. Essas
pessoas se embananam demasiado com as palavras. O que derrubou o
locutor foi o pinto pequeno.
Nenhum comentário:
Postar um comentário