domingo, 15 de novembro de 2015

É viável ressuscitar um rio.



RIO MORRE. MAS RESSUSCITA.

O Rio do Carmo também foi matado. O Rio do Carmo é um dos formadores do Rio Doce. Estão mortos. De uma pancada só.

Diferente do Tietê. Do Pinheiros. Do Tamanduateí. Que foram matados devagarinho. Mas estão igualmente mortos. Isso só pra ficar nos três cadáveres mais próximos da minha casa.

Com uma paulada só ou devagarinho, é tudo uma pouca-vergonha. Falta de respeito do governo, do povo, do industrial. Um sujeito individual ou coletivo é culpado dessa carnificina, quero dizer, dessa aquaficina.
A sujeira de um rio denuncia o grau civilizatório dos seus ribeirinhos.

Penso que, talvez, já haja tecnologia para individualizar os esgotos jogados no rio. Uma substância colocada em cada local e depois identificada lá no rio...uma espécie de DNA do esgoto de cada um. Mas uma forma radical e viável de limpar o rio é obrigar todas as unidades – familiares, prediais, comerciais, industriais – a tratarem o próprio esgoto.

Ou a pagar para alguém tratar.

Porque, diferente de nós, animais e vegetais,  os rios ressuscitam.

Esse conceito é muito importante nos casos de morte-matada de uma paulada só, como fizeram com o Carmo e o Doce. Obrigarem os que deram a paulada a gastarem grana na recuperação.

Pois um rio é dinâmico por natureza. A água suja e assassina escoa. E água limpa, mas sem vida, passa a correr no rio, se pararem de jogar sujeira nele. A água limpa é repovoada pela vida remanescente nos afluentes. Reflorestar as margens. Sem frescura. Obrigar os proprietários das margens. Primeira obrigação: passar uma cerca na distância que consta na lei. Por lei, cada rio tem uma largura mínima de matas em suas margens. Para que ali não passe nenhuma cabeça de gado, que dirá trator. Em pouco tempo a mata se forma sozinha. A mesma coisa nas encostas. A partir de certa declividade, o terreno não pode ser cultivado. Está na lei.

E o que o reflorestamento tem a ver com o rio? É que os rios são formados por minas. Minas são águas acumuladas nas profundezas da terra que afloram à superfície. Essa água uma dia foi chuva. Que, ao invés de escorrer, infiltrou. Infiltrou porque algum obstáculo não a deixou correr. E o melhor obstáculo é a floresta, que não deixa a água da chuva escorrer nem evaporar.

Desculpem o beabá. É viável ressuscitar um rio.

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