Ia eu alta hora da noite pela Paulista,
saudoso das lampadinhas chinesas que nivelaram por baixo a decoração de natal,
quando observei no numeroso público um frenesi, como formigas de um formigueiro
atacado. É que não havia visto os ônibus iluminados, que vinham no mesmo
sentido que eu e ainda estavam em minha retaguarda. A criatividade humana é
como água morro-abaixo ou fogo morro-acima: não tem quem segura.
A Paulista estava pálida, sem decoração da
prefeitura, sem cartão postal iluminado do Itaú, do Bradesco, do BB, com apenas
garrafas pet no Conjunto Nacional... eu
vinha caminhando e pensando que era fatal o desaparecimento das famigeradas
lampadinhas, mas não de modo abrupto, como aconteceu..., no Ibirapuera deixaram
as árvores em paz, o Grupo Pão de Açúcar desistiu de infernizar o bosque atrás
da fonte, a casa do Itaú na Paulista foi desocupada, eu navegava num
fim-de-feira desanimador, quando, então, vi o frenesi referido, o povo se movimentando
– celular em riste - em minha direção,
eis que o alvo iluminado vinha atrás de mim e eu o ignorava.
De repente, num golpe de criatividade,
ressuscitaram a felicidade coletiva, introduzindo na avenida um espírito de
natal móvel e barato, adequado aos tempos recessivos que alardeiam. Sim, os
ônibus iluminados deixam um rastro de felicidade por onde passam, o grande
público carece de luzes, hipnotizado que está pelas telas luminosas de todo
tipo e tamanho. As vagabundas lampadinhas chinesas, que tempos atrás
desbancaram os festões e bolas coloridas, ainda dominam nosso espírito
natalino, agora em movimento, deixando as mariposas tontas.
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