segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

A SÍNDROME DE MARIPOSA



     Ia eu alta hora da noite pela Paulista, saudoso das lampadinhas chinesas que nivelaram por baixo a decoração de natal, quando observei no numeroso público um frenesi, como formigas de um formigueiro atacado. É que não havia visto os ônibus iluminados, que vinham no mesmo sentido que eu e ainda estavam em minha retaguarda. A criatividade humana é como água morro-abaixo ou fogo morro-acima: não tem quem segura. 

     A Paulista estava pálida, sem decoração da prefeitura, sem cartão postal iluminado do Itaú, do Bradesco, do BB, com apenas garrafas pet no Conjunto Nacional...  eu vinha caminhando e pensando que era fatal o desaparecimento das famigeradas lampadinhas, mas não de modo abrupto, como aconteceu..., no Ibirapuera deixaram as árvores em paz, o Grupo Pão de Açúcar desistiu de infernizar o bosque atrás da fonte, a casa do Itaú na Paulista foi desocupada, eu navegava num fim-de-feira desanimador, quando, então, vi o frenesi referido, o povo se movimentando – celular em riste -  em minha direção, eis que o alvo iluminado vinha atrás de mim e eu o ignorava. 

     De repente, num golpe de criatividade, ressuscitaram a felicidade coletiva, introduzindo na avenida um espírito de natal móvel e barato, adequado aos tempos recessivos que alardeiam. Sim, os ônibus iluminados deixam um rastro de felicidade por onde passam, o grande público carece de luzes, hipnotizado que está pelas telas luminosas de todo tipo e tamanho. As vagabundas lampadinhas chinesas, que tempos atrás desbancaram os festões e bolas coloridas, ainda dominam nosso espírito natalino, agora em movimento, deixando as mariposas tontas.

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