quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Última crônica amargurada.

ÚLTIMA CRÔNICA AMARGURADA.
- Pô, meu, o cara é presidente de multinacional!
- Não é multinacional, é grupo empresarial paulista, com ramificações e associações no exterior...
- Pô, meu, no nordeste e em Guaraci, isso é tudo a méma b.!
- Desapareceu na curva, dobrô o espigão, é estrangeiro...
- Cê viu, o cara anda de bicicleta!
- É, isso é pré-requisito pra contratação...
- O quê?!
- O cara tem sensibilidade social...
- Para de falar com reticências, caralho!
- Escuta aqui, ô mermão, enfia tua alienação no cu, sem exclamação...
- La vem você com essa porra de discurso!
- Não é discurso, é sussurro...
- O quê?! Deixa palavras faltando e ainda fala baixo!
- Já foi o tempo em que as multinacionais e os grandes grupos empresariais paulistas contratavam broncos...
- É, cê viu que gente fina!
- E a bicicleta era vagabunda...
- Pô, meu, a  maió humildade, dô o maió valor!
- É, gestão profissional...
- Caceta, palavras faltando, palavras sibilando! Você é dose!
- Os bandeirantes já se incorporaram à terra; dos fazendeiros de café só restam os cabelos e os ossos mais grossos; os capitães-de-indústria já morreram ou estão gagás; os filhos estão proibidos de abrir a boca em público pra não dar vexame...
- Até achei simpático esse ponto-e-vírgula!
- Na época da ditadura era o contrário, contratavam trogloditas no exterior...
- Pô, meu, para com isso! O cara comanda milhões e vem aqui pra rua, se mistura com a gente, sua, pedala, você não queria que ele fosse comunista, né?!

- Não, eu só queria que ele falasse bicicleta ao invés de bike...

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