sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

QUINTAL PAULISTANO.



     Da mesma forma que os baianos são preguiçosos e os cariocas folgados, os paulistanos são trabalhadores... o que seria de nós sem os preconceitos? Pelo menos no que se refere a nós, paulistanos, descobri o motivo da fama. É que nós, realmente, fazemos as coisas mais depressa. Se o fazemos completo e bem feito, já é outra discussão...  (aqui não resisto a uma reflexão sobre as coisas que, quanto mais devagar, melhor... mas somente cá com meus botões). Ora, quem faz depressa, faz mais, é mais produtivo. É isso que as pessoas tendem a deduzir. Sabe aquele seu colega de escritório que não para, que sempre está fazendo algo, que por isso nunca tem tempo, que tem um monte de arquivo pra fazer?  Não é verdade que todo mundo no escritório acha que ele é o mais trabalhador?  Pois então, observe melhor. Ele realmente pode estar sobrecarregado, mas o mais provável é que ele seja um impostor ou um incompetente. Ele pode ser um fingido, daqueles que querem mostrar serviço. Mas, na maioria dos casos, se trata de pura incompetência. Até porque o fingido não dura muito: ou é desmascarado ou sobe de posto e ...  Já o incompetente dura, porque permanece bastante tempo na função, pois a sua sinceridade realmente comove chefes e subordinados.

     E o que tem a ver essa realidade microcósmica com o paulistano trabalhador? Tem a ver que o paulistano só anda correndo na rua, com pressa, carrancudo, pois provavelmente está com os minutos contados. Experimente parar um amigo paulistano na calçada, na parte da manhã, para ver o vexame: é a impaciência em pessoa, eis que seus minutos estão contados para chegar a algum lugar em que tem hora marcada. E porque isso acontece? Porque ele mora longe.  O paulistano perde muito tempo no trânsito, coisa de duas horas pra ir, duas pra voltar, em média. Isso é um chute meu, mas ancorado na observação real. (eu mesmo, paulistano, nunca perdi mais de 15 minutos pra ir e vir, a pé).  Pois vá somando. Dez horas por conta do patrão, quatro horas por conta do transporte, oito por conta do necessário sono, sobraram duas horas para cozinhar, arrumar a casa, ir ao supermercado, fazer ginástica, preparar a marmita, ler o jornal, assistir à novela, chamar e acompanhar o técnico da máquina de lavar roupa, do micro-ondas, do fogão, da geladeira, do computador, do telefone,  da ligação da internet, do gás, da eletropaulo, da sabesp, do pedreiro, do encanador, do pintor, do professor de inglês,  fora ter de levar o carro no posto, no mecânico, no seguro, no detran, na vistoria, fora ter de renovar a carteira de habilitação (a cada quatro anos),  a carteira de  identidade (a cada dez anos), pagar as contas, IPTU, IPVA,  ir à assembleia do condomínio, do sindicato, da reunião de pais na escola, ao cabelereiro, ao pedicuro, ao médico, ao dentista. Ao Pacaembu...   Sendo que ainda tem muito paulistano que multiplica tudo isso por dois, com a casa na praia ...

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